segunda-feira, 16 de abril de 2018

Religiões do Extremo Oriente



                     


 O culto aos antepassados é um ponto comum à vida religiosa  da China e do Japão. Trata-se de um dos elementos básicos tanto do confucionismo como do xintoísmo, ou xintó (do japonês shinto, "caminho dos deuses").
 Outra característica comum é a pluralidade religiosa. Várias religiões não só coexistem lado a lado, como também se influenciam umas às outras. Não é raro alguém seguir diversas religiões ou tirar inspiração de diversas religiões.
Desde tempos antigos os chineses falam nos "três caminhos": taoísmo, confucionismo e budismo. O budismo veio da Índia e, além da China, propagou-se também no Japão, onde teve grande influência sobre a religião nacional, o xintoísmo.
O Japão já foi chamado de laboratório religioso. Desde a Segunda Guerra surgiram ali inúmeras novas seitas e comunidades religiosas, com raízes no xintoísmo, no budismo e no cristianismo.
 Na  China,  por   outro  lado,  a   religião  passou  a   exercer  um papel cada vez menor nos anos do  pós-guerra.  Quando  os  comunistas e Mao Tsé-Tung assumiram o poder em 1949, a liberdade fortemente reprimida. Destruíram-se templos e  se  confiscaram propriedades religiosas comunitárias. Após  a morte de Mao, em 1976, houve uma pequena liberalização do campo religioso, assim como em outras áreas da esfera pública.

Confucionismo
DADOS HISTÓRICOS
Até 1911 a China foi uma potência imperial, onde  o  imperador reinava acima de tudo. O imperador era considerado o representante do país diante do supremo deus Céu. Ao mesmo tempo, era também o filho do Céu na Terra. O próprio imperador realizava o sacrifício ao Céu no Templo do Céu, situado na capital, Pequim. Fazia ainda sacrifícios às montanhas e aos rios sagrados da China.
 O Império chinês era uma sociedade hierárquica, com líderes permanentes. A frente da administração havia uma elite de funcionários  altamente  letrados,  os  mandarins.  Sua  ideologia  era  o confucionismo,  um  conjunto  de  pensamentos,  regras  e  rituais sociais
(ou,     na        forma  latina, Confucius)  cujas  doutrinas  prevaleceram  na  China  até  a  queda  do imperador. Confúcio também formulou normas para a vida religiosa, para os sacrifícios e os rituais. O confucionismo  era,  na  verdade,  uma religião estatal praticada pela elite e  pelas  classes  dominantes,  a qual, no entanto, nunca se disseminou muito entre as massas, as camadas mais amplas da população. Da mesma forma  que  o  imperador, em seu palácio em Pequim, ficava remotamente afastado das pessoas comuns, o Céu era remoto e impessoal para a  grande  massa   dos   chineses   pobres,   trabalhadores  e  camponeses.  A religião dos     pobres            era       a          adoração        dos espíritos,  particularmente         dos  antepassados,  religiosidade  carregada  de  magia  e  traços  de  outras religiões. As grandes potências da Europa constituíam uma ameaça para a independência econômica e política do país. Isso explica, em parte, a tendência isolacionista e o ceticismo em face dos impulsos vindos do exterior. Os intelectuais atacavam a religião popular, acreditando que esta era um obstáculo para a ciência moderna e o moderno pensamento político. Isso levou alguns a tentarem um reavivamento e uma modernização das antigas religiões, ao passo que outros  desenvolveram  um  interesse  maior  por  ideais  não  religiosas vindas do Ocidente.
Em 1911 os incompetentes governantes imperiais foram derrubados e a China se tornou uma república. Porém, as condições políticas se mantiveram instáveis por causa de uma guerra civil e da guerra contra o Japão. Em 1949 os comunistas tomaram o poder.

CONFÚCIO (551-479 A.C.)
Há alguma incerteza quanto às origens de Confúcio, mas é provável que ele tenha nascido numa  família  aristocrática empobrecida. Recebeu uma boa educação e se tornou um sábio, atraindo   muitos    discípulos.   Algumas    de    suas    interpretações da filosofia  antiga  e  das  tradições,  em  especial  quando  ele  tocava  em assuntos relacionados           a          ética    e          filosofia           social,  foram inovadoras.
Confúcio acreditava que o Céu o escolhera para revitalizar a cultura e     a moralidade estabelecidas pelos sagrados imperadores em tempos antigos.  Só  que  ele  não  organizou  suas  ideias  em  nenhum  sistema  simples, nem as registrou ele mesmo, motivo por que  elas chegaram  até nós apenas por meio dos escritos de seus discípulos.

A TRADIÇÃO CONFUCIANA
Confúcio teve um efeito decisivo no desenvolvimento da China. Após sua morte, os discípulos  começaram  a  difundir  e ampliar   suas   ideias.   O confucionismo  acabou   se   tornando   uma  espécie de religião estatal da China, chegando muitas vezes a atacar  outras  religiões,  como  o  budismo  e  o  taoísmo.  Foram construídos templos em honra a Confúcio e se ofereciam sacrifícios a ele na primavera e no outono, assim como se ofereciam sacrifícios ao Céu. Apesar disso, deve-se enfatizar que o confucionismo  nunca  havia  sido  uma religião independente. Falando-se mais precisamente: o termo abrange  uma  série  de  ideais  filosóficas e políticas que  formavam  os  pilares do governo e  da  burocracia da China imperial, muito embora a ética do confucionismo também permeasse amplas camadas da população chinesa. É típica dessa tradição sua visão política pragmática e seu interesse pelas questões sociológicas reais, como a educação dos filhos, o papel do indivíduo na sociedade, as regras corretas de conduta  etc.   Seu   interesse   pelas   questões   religiosas   e   metafísicas   é muito menor.

ATITUDE SOCIAL E HUMANA
Uma das  ideais fundamentais de  Confúcio era  que  a natureza ao homem. Para esse fim, Confúcio adotou alguns antigos conceitos chineses e os moldou a seus próprios objetivos. O tao é a harmonia predominante no universo; em outras palavras, o relacionamento bom e equilibrado entre todas as coisas. Essa harmonia é um modelo para a sociedade, na qual, da mesma forma, o indivíduo deve tentar viver em  compreensão  e  harmonia.  Isso pode ser atingido  se  seu  ser interior estiver em consonância com o tao, pois então ele encontrará o incentivo necessário, o te, ou o caminho certo para a ação.
A fim  de  alcançar  a harmonia com o  tao, o  homem precisa de  conhecimento  e   compreensão,  o   que   ele   pode  obter  estudando   o  passado, a tradição. Esta ensina ao indivíduo as regras de comportamento correto, a celebração fiel dos rituais e das cerimônias religiosas, e qual é seu devido lugar na sociedade.
Confúcio via o homem como naturalmente bom e pensava que  todo  mal  brota  da  falta  de  conhecimento.  A educação, portanto, implica transmitir os conhecimentos corretos.
 O  lugar   do   indivíduo  na   sociedade   é   regulado  por  cinco  relações: entre senhor e servo, entre pai e filho, entre mais velho e mais jovem, entre homem e mulher, e entre amigo e amigo. Isso significa que o soberano deve ser bom e o servo deve ser leal, uma relação que tornou o confucionismo politicamente conservador e dificultou os desafios à autoridade. Isso significa também que  o  pai deve ser amoroso e o filho respeitador, uma ideia ligada ao culto dos antepassados. E significa que o homem deve ser justo e a mulher obediente, o que diz bastante sobre o papel da mulher nesse sistema.

O ideal para todos os homens e os conceitos mais importantes para Confúcio são: piedade filial, respeito e reverência.
Confúcio e as coisas religiosas

Confúcio         não     se        opunha,         de        modo  nenhum,        à          religião popular, e não duvidava que os deuses e os espíritos existissem. Acreditava que um ser sobrenatural o inspirava: "O Céu deu à luz a  virtude  dentro  de  mim".  Só  que  o  Céu  para  ele  não  era  um Deus pessoal. Ainda que este lhe desse inspiração e direção, Confúcio não  fundamentou  sua  ética  em  mandamentos  morais  transmitidos  por  Deus.
O mais importante para Confúcio era que  os  deuses  deviam ser cultuados adequadamente, que os rituais, os sacrifícios e as cerimônias     deviam     ser      realizados     corretamente,      pois    isso demonstrava            a          piedade          filial      da pessoa.      Ele    não   estava interessado em assuntos religiosos ou metafísicos. Consta que ele  disse: "Mostre respeito pelos deuses, mas mantenha-os à distância". E quando lhe perguntaram sobre a vida após a morte, respondeu: "Quando não se compreende nem sequer a vida, como se pode compreender a morte?".

Taoísmo

O taoísmo se baseia num livro chamado Tao  Te  Ching,  "O  livro do Tao e do Te". Tao (ordem do mundo) e te (força vital) são antigos conceitos chineses aos quais Confúcio deu uma interpretação um pouco diferente.
O Tao Te Ching é um livrinho de apenas vinte ou 25 páginas, dividido em 81 capítulos. Ninguém sabe ao certo quem  o  escreveu, mas diz a lenda que foi o filósofo Lao-Tse, que viveu no século VI a. C, tendo sido mais ou menos contemporâneo de Confúcio. As histórias sobre a vida de Lao-Tse são muitas e variadas, e os historiadores não têm certeza sequer se ele de fato  existiu.  Feita  essa  advertência, abaixo vamos nos referir a Lao-Tse como autor do Tao Te Ching.

TAO — O GRANDE PRINCÍPIO
Para Confúcio, o tao era a suprema ordem do universo, que o homem tinha de seguir. Lao-Tse também concebia o tao como a harmonia do mundo, especialmente do mundo natural. Só que ele foi mais além: o tao é a verdadeira base da qual todas as coisas são  criadas, ou da qual elas jorram. Várias vezes o tao é descrito como o "Céu", isto é, como algo divino, embora não seja um deus pessoal.
A diferença mais importante entre a concepção de Lao-Tse  sobre o tao e as outras é que Lao-Tse acreditava ser impossível  descrever o tao de maneira direta e racional. "O tao que pode ser descrito não é o tao real", disse ele. Isso significa que o homem não  pode investigar ou estudar a verdadeira natureza do tao, não pode usar o intelecto para compreendê-lo. Ele deve meditar, imerso numa tranquilidade sem nexos e esquecer todos os seus pensamentos a respeito de coisas externas, como o lucro e o progresso na vida. Só então irá alcançar a união com o tao e será preenchido pelo te, a força vital.

VIDA SOCIAL
O taoísmo implica passividade e não atividade. Para um sábio taoísta, a ação mais importante é a "não-ação". Isso obviamente tem uma  grande  influência  em  sua  visão  da  vida  comunitária. Enquanto Confúcio desejava educar o homem por meio do conhecimento, Lao- Tse  preferia  que  as  pessoas  permanecessem  ingênuas  e  simples,  como crianças. Enquanto Confúcio  ansiava  por  regras  e  sistemas fixos na política, Lao-Tse acreditava que o homem deveria interferir o mínimo possível no  desdobramento natural dos  fatos. Confúcio queria uma administração bem-ordenada, mas Lao-Tse acreditava que qualquer administração é má. "Quanto mais leis e mandamentos existirem, mais bandidos e ladrões haverá", diz o Tao Te Ching.
O Estado ideal de Lao-Tse era a pequena comunidade (a aldeia ou a cidade pequena) que, segundo ele, existia já nos tempos antigos.  Ali as pessoas tinham vivido em paz e contentamento, sem interesse   em guerrear contra seus vizinhos, como fizeram mais tarde as províncias chinesas. O líder devia ser um filósofo, e sua  única  tarefa  era que sua passividade e seu distanciamento servissem de exemplo para os outros.
A caridade ativa não faz sentido para um taoísta. Mas ele tem uma boa vontade sem limites para com todos os outros, sejam eles  bons ou maus.

O TAOÍSMO COMO UMA RELIGIÃO POPULAR
Alguns discípulos de Lao-Tse direcionaram o misticismo  natural para aspectos mais mágicos. Foram esses elementos de magia que encontraram maior ressonância entre as massas, ao se incorporarem às crendices e feitiçarias de tempos mais antigos. Por exemplo, Lao-Tse acreditava que quando um indivíduo permanece passivo, preserva sua força vital por longo tempo,  mantendo-a  saudável e pura. Mais tarde, algumas pessoas começaram  a  interpretar essa ideia como a possibilidade de alcançar uma  longevidade cada vez maior, e passaram a se interessar em se tornar  imortais. Filósofos taoístas, além de meditar, exercitavam práticas mágicas e tentavam descobrir o elixir da vida eterna.  Lado a lado com o taoísmo filosófico, foi se desenvolvendo uma religião  popular baseada em Lao-Tse mas que também tinha seus próprios deuses, templos, sacerdotes e monges. Havia rituais complexos, em parte inspirados pela prática budista, com procissões, oferendas de alimentos aos deuses e cerimônias em honra dos vivos e dos mortos.

Xintoísmo

No Japão, a antiga religião nacional é o xintoísmo. A partir de 500 D. C, o xintoísmo enfrentou dura competição com o budismo, e  as duas religiões acabaram por influenciar uma à outra. Não é raro, no Japão, o uso alternado de várias religiões. Uma criança pode ser abençoada pelos deuses num ritual xintoísta e ser enterrada num ritual budista. O casamento pode  se  realizar  numa  igreja  cristã.  Essa mistura de religiões encontrou expressão modernamente numa série de novas seitas, cultos e comunidades religiosas, o que levou o Japão moderno a ser chamado de laboratório religioso.
Características do xintoísmo
 Diferentemente do cristianismo e do islã, o xintoísmo não tem um fundador. É tipicamente uma religião nacional, que ao longo dos séculos adotou tradições de várias  outras  religiosidades.  Ela não conta com nenhum credo ou código de ética  expressamente formulado. A essência do xintoísmo são a cerimônia e o ritual, que mantêm o contato com o divino.
Costuma-se dizer que o xintoísmo possui diversos milhões de deuses, ou kamis, que se manifestam sob a forma de árvores, montanhas, rios, animais e seres humanos. Só  que  a  palavra  japonesa kami também pode ser traduzida como "espírito". O culto aos espíritos naturais e ancestrais sempre foi fundamental para o xintoísmo, desde os dias em que o Japão ainda era uma sociedade agrária. O culto aos antepassados se difundiu particularmente sob a influência do confucionismo chinês.

ORIGEM DIVINA DOS JAPONESES
No princípio, segundo a mitologia japonesa, um casal divino, Izanagui e Izanami, desceu do céu e gerou as ilhas japonesas, depois o resto do mundo e tudo o que há nele, e por último uma série  de  deuses, os kamis. Destes, o mais importante era a deusa do sol, Amaterasu. Os  outros kamis se estabeleceram na terra e conceberam  os primeiros seres humanos. Mas a sociedade humana precisava de ordem e comando, e por isso o neto de Amaterasu foi enviado à terra. Um de seus descendentes se tornou o primeiro imperador do Japão.
 Assim, todos os japoneses têm origem divina, mas em especial o imperador, que é descendente da própria deusa do sol.
RELIGIÃO ESTATAL E CULTO IMPERIAL
Aos poucos foi ocorrendo uma mudança: em vez de adorar os kamis do falecido imperador, passou-se a adorar o próprio imperador. Ele era um kami vivo.
A origem do culto ao imperador se explica, em parte, pelas condições políticas do século passado. O Japão estava ameaçado pelo expansionismo ocidental e sentiu necessidade de reforçar no povo o caráter nacional. Ao mesmo tempo, a autoridade do imperador tinha sido solapada por líderes militares, os xoguns, que detinham o poder.
Em 1867, um golpe de Estado deu ao imperador Meiji  o  controle do  país; ele iniciou então uma renovação política e  religiosa.
O   xintoísmo  se   tornou   a   religião   estatal,   ao   passo   que templos budistas foram derrubados            e          vários  elementos      budistas          foram expurgados da cultura xintoísta.
Retratos do imperador foram pendurados em todos os edifícios oficiais, nas escolas e nas fábricas, e as pessoas tinham de se curvar respeitosamente diante deles.
 Juntamente com o culto ao imperador veio à tona um forte  nacionalismo. Essa foi a base para  o  crescente  expansionismo  japonês, que culminou na Segunda Guerra Mundial, quando o Japão   se alinhou com a Alemanha.
A religião ficou então totalmente vinculada ao nacionalismo. Um exemplo: o xintoísmo era a ideologia dos pilotos suicidas  japoneses (kamikaze quer dizer "vento divino").
Cada soldado que morria na guerra era imediatamente transformado num kami, e em sua honra  se  realizavam  cerimônias  nos templos xintoístas.
 Após  a  derrota  do  Japão  na  guerra,  em  agosto  de  1945,  o  imperador fez uma declaração renunciando a sua condição divina. O xintoísmo deixou  de  ser  religião estatal; porém,  o  xintoísmo  popular, que sempre havia coexistido com o culto  imperial,  sobreviveu  e  passou a experimentar um certo reavivamento.
O culto é observado tanto no lar como nos templos, dos quais há cerca de 20 mil. Antes administrados pelo governo imperial, os templos são hoje organizados em associações, com líderes eleitos pelo voto.

O TEMPLO — MORADA DOS KAMIS
 O templo xintoísta não é um local para pregações. E a morada de um kami, o lugar onde este é cultuado segundo certos rituais prescritos.
No santuário interno do templo há um objeto que simboliza a proximidade do kami. É esse símbolo que torna o templo um lugar sagrado. Os três símbolos mais importantes são:  um  espelho,  uma joia ornamental e uma espada, que ficam guardados em três dos maiores templos xintoístas. O espelho, a joia e a espada estão ligados   a um mito relativo à deusa do sol, Amaterasu,  e  ao  primeiro imperador do Japão.
Segundo um dos antigos mitos divinos, Amaterasu certa vez foi provocada e se escondeu numa caverna. Mas ela foi atraída para fora  por um espelho e convencida a brilhar novamente.

O SACERDÓCIO
Originalmente, as cerimônias eram realizadas pelo chefe da família ou do clã; num nível mais alto na  escada  social,  por  um príncipe ou pelo próprio imperador.
 Aos poucos foi se desenvolvendo o sacerdócio como função  mais  especializada,      em geral            passada          de        geração          em       geração          em  o   imperador   elevou   o   xintoísmo  à   condição   de   religião   estatal e transformou os sacerdotes em funcionários públicos.
Hoje, os sacerdotes em tempo integral ou parcial são nomeados pela organização dos templos. A maioria deles é casada e tem também um emprego secular. Após a guerra, as mulheres passaram a ser elegíveis para o sacerdócio.  Os deveres  do  sacerdote  são  acima  de  tudo  rituais:  ele deve  saber  conduzir as cerimônias            diárias e          as grandes      festividades  religiosas.

Os quatro principais aspectos do culto
Parte essencial do xintoísmo, as cerimônias religiosas ajudam a evitar acidentes, promovem a cooperação e o contato com os kamis, e geram o contentamento e a paz para o indivíduo e a sociedade.
As cerimônias variam desde as mais simples, realizadas no lar, até as grandes festas anuais dos templos. Quatro elementos, porém, estão sempre presentes.

PURIFICAÇÃO
O objetivo da purificação é banir tudo o que seja mau  ou  injusto, tudo o que possa pôr em perigo a relação do indivíduo com os kamis. A impureza é associada principalmente à doença e à morte,  mas todas as funções carnais também geram impureza.
Todo serviço divino começa com uma purificação, que pode consistir apenas em lavar a boca e despejar um pouco de água  na ponta dos dedos. No templo, ela é realizada pelo sacerdote, que agita um cajado especial diante dos indivíduos ou objetos a serem  purificados. Na ponta desse cajado da purificação se encontram amarradas fitas de papel ou fios de linho, que o tornam semelhante a uma vassoura.

SACRIFÍCIO
Se as oferendas prescritas não são feitas, o indivíduo pode perder contato  com  os  kamis  e  sofrer  infortúnios.  A oferenda pode consistir em dinheiro, alimentos ou bebidas. As diversas atividades artísticas ou  esportivas  associadas  às  festividades  do  templo também têm um significado religioso e devem ser consideradas uma espécie de sacrifício. Dança, teatro, luta e arco e flecha são atividades que se realizam em honra aos deuses.

ORAÇÃO
A oração em geral começa com uma expressão de louvor  ao  kami a quem se dirige e uma expressão de gratidão por sua benevolência. Também se faz frequente alusão à origem mítica relacionada com a oração, em outras palavras,  seu  fundamento místico. Depois se especificam as oferendas, com o nome da pessoa que está fazendo o sacrifício; a seguir, pode-se incluir um pedido em forma de oração.

REFEIÇÃO SAGRADA
Na conclusão da cerimônia há um naorai — uma refeição com os kamis. O sacerdote dá a cada um dos presentes uma pequena quantidade de vinho de arroz.

O culto no lar

Em quase todos os lares existe um pequeno altar chamado kamidana. Neste, há objetos simbólicos, como um amuleto para  o  kami, um pequeno espelho, uma vela, um vaso contendo galhos da árvore sakaki.
Dá-se início ao ritual lavando a boca e as mãos. Em seguida, põe-se um sacrifício diante do altar; pode ser algo tão comum como uma tigela com água ou alguns  grãos  de  arroz.  O  suplicante  senta ou fica em pé sobre um tapetinho, com a cabeça respeitosamente curvada. Após uma pequena oração, ele inclina a cabeça duas vezes, bate palmas duas vezes com as mãos erguidas e inclina mais algumas vezes a cabeça para finalizar o culto. Todos os alimentos que foram oferecidos são depois retirados e comidos à mesa.

Tenri-kyo

A tenri-kyo tem suas raízes na religião nacional japonesa, o xintoísmo, mas sofreu influências de várias outras. Foi iniciada em  1838 por uma mulher, Miki Nakayama. O deus Oya-gami lhe fez muitas revelações divinas e passou a habitar dentro dela.
 Essas  revelações  estão  registradas  em  escritos  sagrados,  um dos quais afirma: "Meus atuais pensamentos são expressos pela boca de Miki Nakayama. É verdade que é uma boca mortal que fala, mas são os pensamentos de um deus que formam as palavras".
A tenri-kyo é uma religião monoteísta. O deus Oya-gami é o único deus verdadeiro: criou o mundo e tudo o que há  nele.  O homem foi criado para a alegria e a realização plena na vida.  O  pecado implica que a pessoa é ingrata para com Deus e seus dons, e       o caminho da salvação é viver uma vida contente aqui e agora. Como diz uma das revelações: "O deus da criação fez o homem para que  este se deleite em sua feliz existência".
O lado criacional é fundamental na tenri-kyo.  Isso  se evidencia em seu culto, no qual se representa a criação numa dança ritual. Nessa dança, pede-se a Deus que abençoe tudo o que criou. Como ocorre no xintoísmo, é importante que Deus garanta  a  renovação de todas as coisas vivas, da  vida  humana  e  da  vida natural.
Um aspecto da renovação da vida é a  ênfase  especial  posta pela tenri-kyo na cura do sofrimento e da doença. Uma bênção dada durante o serviço diário do templo diz: "Atenda ao serviço divino diligentemente todos os dias, pois isso irá protegê-lo contra todos os infortúnios. Tomando parte ativa no serviço divino, até as  doenças mais sérias serão curadas".
 O objetivo da tenri-kyo é que todo mundo ouça a mensagem. Então, um estado de perfeita felicidade passará a existir na Terra. A cidade em que Miki Nakayama recebeu sua revelação se  chama Tenri. Ali se encontra a sede desta religião, um enorme edifício que pode abrigar 25 mil pessoas. Essas sedes  imensas  —  muitas delas construídas em belo estilo arquitetônico — também são típicas de algumas das outras novas religiões do Japão. A tenri-kyo  está envolvida em ampla atividade missionária nas Américas e em vários países da Ásia.

         Religiões africanas

Três religiões dominam a África moderna. O cristianismo se encontra sobretudo no Sul e ao longo dos litorais leste e  oeste.  O  centro do islã fica na África setentrional árabe, mas historicamente essa religião sempre teve penetração também ao sul do Saara. Há, por fim, as religiões primais, ou tribais, ou tradicionais,  as  mais difundidas  antes  da   invasão  cultural  ocidental  e   árabe.   Na   África  moderna,    a          estrutura            tradicional baseada   na        aldeia  está  desaparecendo   e,   juntamente   com   ela,   o   fundamento   das antigas religiões, que era a vida familiar e tribal.
As religiões africanas tradicionais não têm textos escritos, o que torna seu estudo difícil para os pesquisadores. Boa parte do conhecimento que temos sobre essas religiões, reunido durante os últimos séculos, apoia-se nos relatos de observadores europeus, sejam eles mercadores, colonizadores ou missionários. Tais descrições são muito influenciadas pelas constantes comparações entre a vida religiosa e cultural do local e o cristianismo e  a  cultura  ocidental. Mais recentemente, etnólogos e antropólogos sociais vêm se utilizando de métodos científicos modernos para estudar as religiões africanas, porém mesmo eles as veem de uma perspectiva externa.
Uma  fonte de  conhecimento sobre as  religiões africanas são os  mitos que sobreviveram por meio da tradição oral, mas  também  se deve  considerar  que  o  conteúdo  das  histórias  contadas  pode  ter  se alterado ao longo das gerações. As religiões primais, assim como todas as outras, são influenciadas por fatores externos, e muitas adotaram elementos do islã ou do cristianismo. Uma característica das religiões africanas mais recentes são os milhares de  movimentos  sincretistas  que surgiram em torno das missões cristãs.

Ao agrupar as religiões africanas  sob  um  só  rótulo,  deve-se ter em mente que seu número equivale ao de povos existentes  na  África. Cada uma tem seu próprio nome para Deus, seus próprios rituais de culto, suas idiossincrasias. Por outro lado, elas apresentam também muitos traços em comum, pois os africanos  não  viveram  uma existência estática, isolada. Sua história fala de diversas migrações, dos contatos que cruzaram as divisões tribais  e  da  formação de grandes Estados. É necessário notar ainda que a maioria dos africanos não urbanos são agricultores e criadores de gado. Há apenas alguns grupos de caçadores-coletores.

Papel essencial da tribo e da família

O termo tribal, quando associado às religiões africanas, oferece-nos uma chave para compreender algo essencial sobre elas.
A tribo — ou o clã, grupo de parentesco ou família extensa — forma o arcabouço para a existência diária do africano. O respeito por  essa instituição é mais importante do  que  o  respeito pelo indivíduo. O   que   é   especial   no   conceito  que   esses   africanos   têm de  família (ou tribo) é que ela compreende, além dos vivos, os mortos. O ancestral permanece próximo à tribo; torna-se uma espécie de espírito vivendo num mundo à parte, ou pairando sobre o  lar  para  garantir que seus descendentes observem os costumes.
 O costume, ou a organização da sociedade, ou ainda a "constituição", para usar um nome mais moderno, foi estabelecido quando a tribo passou a existir, numa época que os mitos chamam de "o princípio dos tempos". O dever dos vivos é assegurar a preservação dessa organização, o que se consegue obedecendo cuidadosamente a todas as regras e, acima de tudo, fazendo sacrifícios aos espíritos dos ancestrais.
 Entretanto,  a   família  não   consiste   apenas  nos   vivos  e nos mortos, mas também nos ainda não nascidos, nos descendentes. E dever   do   indivíduo   dar   continuidade   à   família.   Um   dos   piores infortúnios pessoais é morrer sem deixar filhos.
Quando uma família se extingue, a conexão dos espíritos ancestrais com a Terra é cortada, pois não sobra ninguém  para  manter contato com eles. Assim, se um homem tem mais de uma esposa e gera muitos filhos, sua alma fica em paz.  Ele  sabe  que  depois da morte sua alma não será forçada  a  vagar  pelo  espaço  vazio, desconectada da Terra, pois estará sempre ligada a alguém.
Uma  das  tarefas  mais  importantes do  homem é  tomar  conta do território que foi outorgado à tribo  por  seus  pais  fundadores, terra que, por sua vez, será passada  aos  descendentes  dele.  Em  outras palavras, não há propriedade privada da terra e ela não pode ser vendida aos pedaços.

O CHEFE TRIBAL
A tribo é liderada por um chefe ou rei. O papel do rei e  seu  poder variam de tribo para tribo e sofreram mudanças no decorrer da história, em particular depois da colonização  da  África  pelas potências europeias. Europeias
 O rei não é apenas um líder político, mas ainda um juiz em exercício, o guardião da justiça e da lei. Com muita frequência, é ele também o sacerdote responsável pelos sacrifícios da tribo.
O motivo por que o rei acumula  todas  essas  diferentes funções é que não há uma demarcação clara entre política, religião, lei  e  moral.  Cada uma dessas formas é parte do princípio — o  costume —sobre o qual aquela sociedade tribal está construída.
O rei é o guardião cotidiano desses preceitos; ele personifica o contato com os antepassados, com a tradição. E também o representante dos deuses na Terra, bem como porta-voz dos homens perante os deuses.

DEUSES E ESPÍRITOS
Baseando-se nos mitos, que  nunca  eram  escritos,  mas passados oralmente de geração em geração, os estudiosos já tentaram descobrir o que caracteriza a crença divina dos africanos.
Na maioria das tribos existe a crença num deus supremo, embora este receba muitos nomes. Normalmente associado ao céu, é ele que concede a fertilidade, e em alguns  mitos é  representado ao  lado da deusa associada à terra.
 Foi   esse  deus  supremo  que   criou  todas  as   coisas  vivas,  os animais  e  o  ser  humano. Foi  ele  ainda  o  responsável  pelos decretos  que regulam a sociedade, pelos costumes a que a tribo tem o dever de obedecer. Com freqüência ele é também o deus do destino, que  governa a vida dos seres humanos e controla a boa ou má fortuna da tribo.
As vezes, esse ser supremo é chamado de "deus em repouso", por estar remotamente afastado da vida cotidiana. Certos mitos relatam que havia um contato íntimo entre o deus e o homem no início       dos            tempos,          quando  tudo            era       bom; só que houve um desentendimento e o deus se afastou. É apenas em circunstâncias excepcionais, quando            as        pessoas           estão   passando por graves  necessidades, que elas recorrem ao deus supremo. De modo  geral,  não precisam  perturbá-lo,  preferindo  se  voltar  para  deuses  e  espíritos  menores.
Esses outros deuses, forças e espíritos se encontram nas florestas, nas planícies e nas montanhas, nos rios e nos lagos. São intimamente associados a fenômenos naturais distintos: o raio e o trovão, as grandes cachoeiras, uma primavera quente, alguma árvore enorme   ou   uma   rocha  com   formato  estranho.   A   religião ganda,  praticada pelo povo Baganda, de Uganda, tem um deus supremo chamado Katonda, porém o culto mais importante se dirige a uma constelação de divindades menores. Uma delas é o deus da água, Mukasa, o qual governa a fertilidade e a saúde. Há ainda o deus da guerra, Kibuka, que no passado exigia sacrifícios humanos. Também   é  costumeiro tratar os  espíritos dos  mortos com  respeito; o  culto  aos antepassados é um dos aspectos mais típicos da religião africana.

CULTO AOS ANTEPASSADOS
Os antepassados são invisíveis, mas acredita-se que mantenham a aparência que tinham em vida, ou talvez sejam um pouco menores.
 Os africanos não têm nenhum conceito de divisão entre corpo e alma e não crêem que é a alma que sobrevive. Os espíritos já foram comparados a sombras ou duplos dos mortos, capazes de estar em vários lugares ao mesmo tempo: no túmulo, no  mundo  dos mortos ou em fenômenos próximos ao homem.
 Uma noção comum é que os mortos vivem no mundo deles da mesma maneira que viviam neste. Até seu status social é mantido. Eles  se  revelam aos  vivos sobretudo em  sonhos, mas  também   como animais e outros objetos naturais.
Cada homem adulto que morre se torna um espírito ancestral ou um deus ancestral para os que ficaram vivos, mas nem todos exercem o  mesmo papel, nem constituem objetos do  mesmo culto.   Os mais importantes são os espíritos dos pais de família,  dos patriarcas e  dos  chefes da  tribo. O  homem  que  é  considerado  o  pai fundador  de   uma   linhagem  de   chefes  com   freqüência  é cultuado como um deus acima de todos os outros, uma divindade nacional.
Culto aos antepassados é uma  expressão  que  implica interação entre os vivos e os mortos. Os vivos obtêm força e socorro de seus         ancestrais;      ao        mesmo tempo, os mortos    dependem     das oferendas de seus descendentes:    é          por meio desses         sacrifícios        que adquirem sua força e potência. Se não receberem oferendas, irão "morrer", isto é, cessar completamente de existir.
Fazer um sacrifício a um ancestral pode ser algo bastante simples.  Um  membro  da  tribo  vai  até  o  túmulo  de  seu  pai,  por  exemplo,  oferece   uma   pequena  quantidade  de   comida  e   bebida, e pede ajuda para resolver uma situação difícil.
Mais comum é a oferenda familiar coletiva. Esta é comandada pelo chefe da família e presta homenagem aos pais já falecidos, os espíritos mais proeminentes. Ter status é fundamental, e o chefe da família é o único que tem o direito de fazer esse sacrifício; só que ele o faz em nome de toda a sua família.
O chefe da tribo é responsável pelos sacrifícios do grupo mais extenso. Em nome de toda a tribo, ele se dirige aos espíritos de antigos chefes e faz orações pedindo uma boa caça ou uma boa safra. Na época da colheita, os primeiros frutos são oferecidos aos espíritos dos chefes. Selecionam-se os melhores produtos em honra dos espíritos, e com o acompanhamento de orações, cantos e danças, as pessoas — em geral usando máscaras e outros adornos  —  expressam  sua  gratidão  e  oram para continuar tendo proteção.

Os especialistas em religião
O papel do chefe ou rei muitas vezes inclui as funções de sacerdote, mas há também uma série  de  outros  especialistas  religiosos: curandeiros, adivinhos, oráculos, profetas e  magos  fazedores de chuva.

CURANDEIROS
Nganga é uma palavra empregada entre os povos de idioma banto, no Sul da África, e pode ser traduzida simplesmente por "médico" ou "doutor". O nganga é bastante familiarizado com muitas das causas físicas das doenças, e utiliza ervas e plantas da medicina popular em sua prática médica. O tratamento, porém, costuma ser acompanhado de amuletos e fórmulas mágicas para controlar os espíritos  maus.  É   uma   crença  comum  a   existência  de   "bruxas" e "feiticeiros", pessoas que tentam fazer mal aos outros usando,  por exemplo,   a   magia  negra.  A  tarefa   do   curandeiro   é   anular   o feitiço,  possivelmente empregando os mesmos métodos mágicos.

MAGIA
A magia é definida como "a capacidade de influenciar os acontecimentos aliciando os seres espirituais ou ativando forças naturais ocultas". Muitas sociedades tribais africanas têm fazedores de chuva. Eles usam a chamada magia homeopática quando querem que chova ou quando querem que a chuva  cesse.  Se  querem  chuva, podem, por exemplo, imitar seu ruído despejando água numa peneira. Podem também saltitar agachados, coaxando, como fazem os sapos quando chove. Ou ainda podem cobrir a cabeça com uma folha de palmeira, fingindo que está chovendo. Se, por outro lado, querem que  a chuva cesse, podem acender uma fogueira imitando o sol. A magia homeopática se baseia no princípio "semelhante atrai semelhante". Acredita-se na existência de  uma conexão entre dois fenômenos que  se parecem. Se se cria uma situação de chuva, a chuva necessariamente tem que cair.
Outro tipo é a magia de contágio, a qual age segundo o princípio de que há uma conexão entre as partes e o todo. Se, por exemplo, alguém possui algo — uma peça de roupa, alguns fios de cabelo ou um fragmento de unha — que pertence a um inimigo, terá  poder sobre  este. Se qualquer uma dessas coisas for agredida, seu possuidor  também sofrerá. É igualmente comum considerar que o nome é parte  da pessoa. Assim, em muitos lugares as pessoas receiam dizer seu  nome, temendo que alguém possa utilizá-lo para fazer mal a elas.

ADIVINHAÇÃO E PROFECIA
Os adivinhos são especialistas em  interpretar  as  mensagens  dos espíritos. Alguns curandeiros são adivinhos e empregam suas técnicas para fazer diagnósticos. Mas os adivinhos também podem aconselhar sobre o que fazer numa determinada situação ou sobre  como apaziguar a ira dos deuses.
Eles possuem muitas técnicas. O adivinho pode usar, por exemplo, um cesto contendo vários objetos. Cada um deles tem um significado simbólico; cada um indica certa  situação  ou característica humana. Quando se sacode a cesta, os objetos saem do lugar; o adivinho então examina quais objetos ficaram por cima e suas posições relativas.

 Atirar objetos para o ar e ver de que maneira caem também é uma prática comum. Os adivinhos pertencentes ao povo Chona, do Zimbábue, utilizavam quatro pedaços de osso ou de madeira, que representavam um velho, uma velha, um rapaz e uma moça, e tinham marcas mostrando seu lado de cima e seu lado de baixo. Com base nas posições relativas desses objetos ao caírem ao chão, o adivinho tirava suas conclusões.
Não se trata apenas de algo como  tirar  a  sorte com  números ou jogar cara-ou-coroa. O adivinho considera que a resposta obtida é uma mensagem vinda dos espíritos ou dos deuses. Mas eles também podem   se    manifestar    diretamente,    por    intermédio    de   certos indivíduos especiais. Usando a música e a dança, esses indivíduos entram em transe e ficam "possuídos" por um espírito, que se faz conhecer e pode ser interrogado pela pessoa que está possuída. Tais indivíduos  são  valiosos  conselheiros  na  comunidade  e  desfrutam de um status elevado no culto. Outros atuam como  profetas independentes.

RITOS DE PASSAGEM
Alguns especialistas religiosos são responsáveis pela vida ritual. De especial importância são os ritos de passagem associados com o nascimento, a morte, a puberdade e o casamento.

Quando os meninos da tribo passam da infância para a idade adulta, devem se submeter aos chamados ritos da puberdade. Os Baluba, um povo banto, começam isolando os meninos do resto da comunidade e sobretudo das mulheres, até mesmo de suas mães. Eles são então circuncidados e enviados à floresta para um duro teste de várias semanas durante o qual aprenderão também as crenças e os costumes de seus antepassados. Quando por fim retornam à aldeia,  são considerados homens adultos, prontos para casar e ter filhos.

Fonte: GAARDER, Josteins; HELLERN , Victor; NOTAKER, Henry. Livros das Religiões. 

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