O culto aos antepassados é um ponto comum à
vida religiosa da China e do Japão.
Trata-se de um dos elementos básicos tanto do confucionismo como do xintoísmo,
ou xintó (do japonês shinto, "caminho dos deuses").
Outra característica comum é a pluralidade
religiosa. Várias religiões não só coexistem lado a lado, como também se
influenciam umas às outras. Não é raro alguém seguir diversas religiões ou
tirar inspiração de diversas religiões.
Desde tempos
antigos os chineses falam nos "três caminhos": taoísmo, confucionismo
e budismo. O budismo veio da Índia e, além da China, propagou-se também no
Japão, onde teve grande influência sobre a religião nacional, o xintoísmo.
O Japão já
foi chamado de laboratório religioso. Desde a Segunda Guerra surgiram ali
inúmeras novas seitas e comunidades religiosas, com raízes no xintoísmo, no
budismo e no cristianismo.
Na China, por
outro lado, a
religião passou a
exercer um papel cada vez menor
nos anos do pós-guerra. Quando
os comunistas e Mao Tsé-Tung
assumiram o poder em 1949, a liberdade fortemente reprimida. Destruíram-se
templos e se confiscaram propriedades religiosas
comunitárias. Após a morte de Mao, em
1976, houve uma pequena liberalização do campo religioso, assim como em outras
áreas da esfera pública.
Confucionismo
DADOS
HISTÓRICOS
Até 1911 a
China foi uma potência imperial, onde
o imperador reinava acima de
tudo. O imperador era considerado o representante do país diante do supremo
deus Céu. Ao mesmo tempo, era também o filho do Céu na Terra. O próprio
imperador realizava o sacrifício ao Céu no Templo do Céu, situado na capital,
Pequim. Fazia ainda sacrifícios às montanhas e aos rios sagrados da China.
O Império chinês era uma sociedade
hierárquica, com líderes permanentes. A frente da administração havia uma elite
de funcionários altamente letrados,
os mandarins. Sua
ideologia era o confucionismo, um
conjunto de pensamentos,
regras e rituais sociais
(ou, na forma latina, Confucius) cujas
doutrinas prevaleceram na China até
a queda do imperador. Confúcio também formulou normas
para a vida religiosa, para os sacrifícios e os rituais. O confucionismo era,
na verdade, uma religião estatal praticada pela elite
e pelas
classes dominantes, a qual, no entanto, nunca se disseminou muito
entre as massas, as camadas mais amplas da população. Da mesma forma que
o imperador, em seu palácio em
Pequim, ficava remotamente afastado das pessoas comuns, o Céu era remoto e
impessoal para a grande massa
dos chineses pobres,
trabalhadores e camponeses.
A religião dos pobres era a adoração dos espíritos, particularmente dos antepassados,
religiosidade carregada de magia e
traços de outras religiões. As grandes potências da
Europa constituíam uma ameaça para a independência econômica e política do
país. Isso explica, em parte, a tendência isolacionista e o ceticismo em face
dos impulsos vindos do exterior. Os intelectuais atacavam a religião popular,
acreditando que esta era um obstáculo para a ciência moderna e o moderno
pensamento político. Isso levou alguns a tentarem um reavivamento e uma
modernização das antigas religiões, ao passo que outros desenvolveram
um interesse maior
por ideais não
religiosas vindas do Ocidente.
Em 1911 os
incompetentes governantes imperiais foram derrubados e a China se tornou uma
república. Porém, as condições políticas se mantiveram instáveis por causa de
uma guerra civil e da guerra contra o Japão. Em 1949 os comunistas tomaram o
poder.
CONFÚCIO (551-479 A.C.)
Há alguma
incerteza quanto às origens de Confúcio, mas é provável que ele tenha nascido
numa família aristocrática empobrecida. Recebeu uma boa
educação e se tornou um sábio, atraindo muitos
discípulos. Algumas de
suas interpretações da filosofia antiga
e das tradições,
em especial quando
ele tocava em assuntos relacionados a ética e filosofia social, foram inovadoras.
Confúcio
acreditava que o Céu o escolhera para revitalizar a cultura e a moralidade estabelecidas pelos sagrados
imperadores em tempos antigos. Só que
ele não organizou
suas ideias em
nenhum sistema simples, nem as registrou ele mesmo, motivo
por que elas chegaram até nós apenas por meio dos escritos de seus
discípulos.
A TRADIÇÃO
CONFUCIANA
Confúcio
teve um efeito decisivo no desenvolvimento da China. Após sua morte, os
discípulos começaram a
difundir e ampliar suas
ideias. O confucionismo acabou
se tornando uma espécie de religião estatal da China, chegando
muitas vezes a atacar outras religiões,
como o budismo
e o taoísmo.
Foram construídos templos em honra a Confúcio e se ofereciam sacrifícios
a ele na primavera e no outono, assim como se ofereciam sacrifícios ao Céu.
Apesar disso, deve-se enfatizar que o confucionismo nunca
havia sido uma religião independente. Falando-se mais
precisamente: o termo abrange uma série
de ideais filosóficas e políticas que formavam
os pilares do governo e da
burocracia da China imperial, muito embora a ética do confucionismo
também permeasse amplas camadas da população chinesa. É típica dessa tradição
sua visão política pragmática e seu interesse pelas questões sociológicas
reais, como a educação dos filhos, o papel do indivíduo na sociedade, as regras
corretas de conduta etc. Seu
interesse pelas questões
religiosas e metafísicas
é muito menor.
ATITUDE
SOCIAL E HUMANA
Uma das ideais fundamentais de Confúcio era
que a natureza ao homem. Para
esse fim, Confúcio adotou alguns antigos conceitos chineses e os moldou a seus
próprios objetivos. O tao é a harmonia predominante no universo; em outras
palavras, o relacionamento bom e equilibrado entre todas as coisas. Essa
harmonia é um modelo para a sociedade, na qual, da mesma forma, o indivíduo
deve tentar viver em compreensão e
harmonia. Isso pode ser atingido se
seu ser interior estiver em
consonância com o tao, pois então ele encontrará o incentivo necessário, o te,
ou o caminho certo para a ação.
A fim de
alcançar a harmonia com o tao, o
homem precisa de conhecimento
e compreensão, o que ele
pode obter estudando
o passado, a tradição. Esta
ensina ao indivíduo as regras de comportamento correto, a celebração fiel dos
rituais e das cerimônias religiosas, e qual é seu devido lugar na sociedade.
Confúcio via
o homem como naturalmente bom e pensava que todo
mal brota da
falta de conhecimento.
A educação, portanto, implica transmitir os conhecimentos corretos.
O lugar
do indivíduo na
sociedade é regulado
por cinco relações: entre senhor e servo, entre pai e
filho, entre mais velho e mais jovem, entre homem e mulher, e entre amigo e
amigo. Isso significa que o soberano deve ser bom e o servo deve ser leal, uma
relação que tornou o confucionismo politicamente conservador e dificultou os
desafios à autoridade. Isso significa também que o pai
deve ser amoroso e o filho respeitador, uma ideia ligada ao culto dos
antepassados. E significa que o homem deve ser justo e a mulher obediente, o
que diz bastante sobre o papel da mulher nesse sistema.
O ideal para
todos os homens e os conceitos mais importantes para Confúcio são: piedade
filial, respeito e reverência.
Confúcio e as coisas religiosas
Confúcio não se opunha, de modo nenhum, à religião
popular, e não duvidava que os deuses e os espíritos existissem. Acreditava que
um ser sobrenatural o inspirava: "O Céu deu à luz a virtude
dentro de mim".
Só que o
Céu para ele não era um
Deus pessoal. Ainda que este lhe desse inspiração e direção, Confúcio não fundamentou
sua ética em
mandamentos morais transmitidos
por Deus.
O mais
importante para Confúcio era que os deuses
deviam ser cultuados adequadamente, que os rituais, os sacrifícios e as
cerimônias deviam ser
realizados corretamente, pois
isso demonstrava a piedade filial da pessoa. Ele
não estava interessado em
assuntos religiosos ou metafísicos. Consta que ele disse: "Mostre respeito pelos deuses,
mas mantenha-os à distância". E quando lhe perguntaram sobre a vida após a
morte, respondeu: "Quando não se compreende nem sequer a vida, como se
pode compreender a morte?".
Taoísmo
O taoísmo se
baseia num livro chamado Tao Te Ching,
"O livro do Tao e do
Te". Tao (ordem do mundo) e te (força vital) são antigos conceitos
chineses aos quais Confúcio deu uma interpretação um pouco diferente.
O Tao Te
Ching é um livrinho de apenas vinte ou 25 páginas, dividido em 81 capítulos.
Ninguém sabe ao certo quem o escreveu, mas diz a lenda que foi o filósofo
Lao-Tse, que viveu no século VI a. C, tendo sido mais ou menos contemporâneo de
Confúcio. As histórias sobre a vida de Lao-Tse são muitas e variadas, e os
historiadores não têm certeza sequer se ele de fato existiu.
Feita essa advertência, abaixo vamos nos referir a Lao-Tse
como autor do Tao Te Ching.
TAO — O GRANDE PRINCÍPIO
Para
Confúcio, o tao era a suprema ordem do universo, que o homem tinha de seguir.
Lao-Tse também concebia o tao como a harmonia do mundo, especialmente do mundo
natural. Só que ele foi mais além: o tao é a verdadeira base da qual todas as
coisas são criadas, ou da qual elas
jorram. Várias vezes o tao é descrito como o "Céu", isto é, como algo
divino, embora não seja um deus pessoal.
A diferença
mais importante entre a concepção de Lao-Tse
sobre o tao e as outras é que Lao-Tse acreditava ser impossível descrever o tao de maneira direta e racional.
"O tao que pode ser descrito não é o tao real", disse ele. Isso
significa que o homem não pode
investigar ou estudar a verdadeira natureza do tao, não pode usar o intelecto
para compreendê-lo. Ele deve meditar, imerso numa tranquilidade sem nexos e
esquecer todos os seus pensamentos a respeito de coisas externas, como o lucro
e o progresso na vida. Só então irá alcançar a união com o tao e será
preenchido pelo te, a força vital.
VIDA SOCIAL
O taoísmo
implica passividade e não atividade. Para um sábio taoísta, a ação mais
importante é a "não-ação". Isso obviamente tem uma grande
influência em sua
visão da vida
comunitária. Enquanto Confúcio desejava educar o homem por meio do
conhecimento, Lao- Tse preferia que as
pessoas
permanecessem ingênuas e
simples, como crianças. Enquanto
Confúcio ansiava por
regras e sistemas fixos na política, Lao-Tse
acreditava que o homem deveria interferir o mínimo possível no desdobramento natural dos fatos. Confúcio queria uma administração
bem-ordenada, mas Lao-Tse acreditava que qualquer administração é má.
"Quanto mais leis e mandamentos existirem, mais bandidos e ladrões
haverá", diz o Tao Te Ching.
O Estado
ideal de Lao-Tse era a pequena comunidade (a aldeia ou a cidade pequena) que,
segundo ele, existia já nos tempos antigos.
Ali as pessoas tinham vivido em paz e contentamento, sem interesse em guerrear contra seus vizinhos, como
fizeram mais tarde as províncias chinesas. O líder devia ser um filósofo, e
sua única tarefa
era que sua passividade e seu distanciamento servissem de exemplo para
os outros.
A caridade
ativa não faz sentido para um taoísta. Mas ele tem uma boa vontade sem limites
para com todos os outros, sejam eles
bons ou maus.
O TAOÍSMO
COMO UMA RELIGIÃO POPULAR
Alguns
discípulos de Lao-Tse direcionaram o misticismo
natural para aspectos mais mágicos. Foram esses elementos de magia que
encontraram maior ressonância entre as massas, ao se incorporarem às crendices
e feitiçarias de tempos mais antigos. Por exemplo, Lao-Tse acreditava que
quando um indivíduo permanece passivo, preserva sua força vital por longo
tempo, mantendo-a saudável e pura. Mais tarde, algumas pessoas
começaram a interpretar essa ideia como a possibilidade
de alcançar uma longevidade cada vez
maior, e passaram a se interessar em se tornar imortais. Filósofos taoístas, além de meditar,
exercitavam práticas mágicas e tentavam descobrir o elixir da vida eterna. Lado a lado com o taoísmo filosófico, foi se
desenvolvendo uma religião popular
baseada em Lao-Tse mas que também tinha seus próprios deuses, templos,
sacerdotes e monges. Havia rituais complexos, em parte inspirados pela prática
budista, com procissões, oferendas de alimentos aos deuses e cerimônias em
honra dos vivos e dos mortos.
Xintoísmo
No Japão, a
antiga religião nacional é o xintoísmo. A partir de 500 D. C, o xintoísmo
enfrentou dura competição com o budismo, e
as duas religiões acabaram por influenciar uma à outra. Não é raro, no
Japão, o uso alternado de várias religiões. Uma criança pode ser abençoada
pelos deuses num ritual xintoísta e ser enterrada num ritual budista. O
casamento pode se realizar
numa igreja cristã.
Essa mistura de religiões encontrou expressão modernamente numa série de
novas seitas, cultos e comunidades religiosas, o que levou o Japão moderno a
ser chamado de laboratório religioso.
Características do xintoísmo
Diferentemente do cristianismo e do islã, o
xintoísmo não tem um fundador. É tipicamente uma religião nacional, que ao
longo dos séculos adotou tradições de várias
outras religiosidades. Ela não conta com nenhum credo ou código de
ética expressamente formulado. A
essência do xintoísmo são a cerimônia e o ritual, que mantêm o contato com o
divino.
Costuma-se
dizer que o xintoísmo possui diversos milhões de deuses, ou kamis, que se
manifestam sob a forma de árvores, montanhas, rios, animais e seres humanos.
Só que
a palavra japonesa kami também pode ser traduzida como
"espírito". O culto aos espíritos naturais e ancestrais sempre foi
fundamental para o xintoísmo, desde os dias em que o Japão ainda era uma
sociedade agrária. O culto aos antepassados se difundiu particularmente sob a
influência do confucionismo chinês.
ORIGEM
DIVINA DOS JAPONESES
No
princípio, segundo a mitologia japonesa, um casal divino, Izanagui e Izanami,
desceu do céu e gerou as ilhas japonesas, depois o resto do mundo e tudo o que
há nele, e por último uma série de deuses, os kamis. Destes, o mais importante
era a deusa do sol, Amaterasu. Os outros
kamis se estabeleceram na terra e conceberam
os primeiros seres humanos. Mas a sociedade humana precisava de ordem e
comando, e por isso o neto de Amaterasu foi enviado à terra. Um de seus
descendentes se tornou o primeiro imperador do Japão.
Assim, todos os japoneses têm origem divina,
mas em especial o imperador, que é descendente da própria deusa do sol.
RELIGIÃO ESTATAL E CULTO IMPERIAL
Aos poucos
foi ocorrendo uma mudança: em vez de adorar os kamis do falecido imperador,
passou-se a adorar o próprio imperador. Ele era um kami vivo.
A origem do
culto ao imperador se explica, em parte, pelas condições políticas do século
passado. O Japão estava ameaçado pelo expansionismo ocidental e sentiu
necessidade de reforçar no povo o caráter nacional. Ao mesmo tempo, a
autoridade do imperador tinha sido solapada por líderes militares, os xoguns,
que detinham o poder.
Em 1867, um
golpe de Estado deu ao imperador Meiji
o controle do país; ele iniciou então uma renovação política
e religiosa.
O xintoísmo
se tornou a
religião estatal, ao
passo que templos budistas foram
derrubados e vários elementos budistas foram
expurgados da cultura xintoísta.
Retratos do
imperador foram pendurados em todos os edifícios oficiais, nas escolas e nas
fábricas, e as pessoas tinham de se curvar respeitosamente diante deles.
Juntamente com o culto ao imperador veio à
tona um forte nacionalismo. Essa foi a
base para o crescente
expansionismo japonês, que
culminou na Segunda Guerra Mundial, quando o Japão se alinhou com a Alemanha.
A religião
ficou então totalmente vinculada ao nacionalismo. Um exemplo: o xintoísmo era a
ideologia dos pilotos suicidas japoneses
(kamikaze quer dizer "vento divino").
Cada soldado
que morria na guerra era imediatamente transformado num kami, e em sua
honra se
realizavam cerimônias nos templos xintoístas.
Após
a derrota do
Japão na guerra,
em agosto de
1945, o imperador fez uma declaração renunciando a sua
condição divina. O xintoísmo deixou
de ser religião estatal; porém, o
xintoísmo popular, que sempre
havia coexistido com o culto
imperial, sobreviveu e
passou a experimentar um certo reavivamento.
O culto é
observado tanto no lar como nos templos, dos quais há cerca de 20 mil. Antes
administrados pelo governo imperial, os templos são hoje organizados em
associações, com líderes eleitos pelo voto.
O TEMPLO — MORADA DOS KAMIS
O templo xintoísta não é um local para
pregações. E a morada de um kami, o lugar onde este é cultuado segundo certos
rituais prescritos.
No santuário
interno do templo há um objeto que simboliza a proximidade do kami. É esse
símbolo que torna o templo um lugar sagrado. Os três símbolos mais importantes
são: um
espelho, uma joia ornamental e
uma espada, que ficam guardados em três dos maiores templos xintoístas. O
espelho, a joia e a espada estão ligados
a um mito relativo à deusa do
sol, Amaterasu, e ao
primeiro imperador do Japão.
Segundo um
dos antigos mitos divinos, Amaterasu certa vez foi provocada e se escondeu numa
caverna. Mas ela foi atraída para fora
por um espelho e convencida a brilhar novamente.
O SACERDÓCIO
Originalmente,
as cerimônias eram realizadas pelo chefe da família ou do clã; num nível mais
alto na escada social,
por um príncipe ou pelo próprio
imperador.
Aos poucos foi se desenvolvendo o sacerdócio
como função mais especializada, em
geral passada de geração em geração em o
imperador elevou o
xintoísmo à condição
de religião estatal e transformou os sacerdotes em
funcionários públicos.
Hoje, os
sacerdotes em tempo integral ou parcial são nomeados pela organização dos
templos. A maioria deles é casada e tem também um emprego secular. Após a
guerra, as mulheres passaram a ser elegíveis para o sacerdócio. Os deveres
do sacerdote são
acima de tudo
rituais: ele deve saber conduzir
as cerimônias diárias e as
grandes festividades religiosas.
Os quatro principais aspectos do culto
Parte
essencial do xintoísmo, as cerimônias religiosas ajudam a evitar acidentes,
promovem a cooperação e o contato com os kamis, e geram o contentamento e a paz
para o indivíduo e a sociedade.
As
cerimônias variam desde as mais simples, realizadas no lar, até as grandes
festas anuais dos templos. Quatro elementos, porém, estão sempre presentes.
PURIFICAÇÃO
O objetivo
da purificação é banir tudo o que seja mau
ou injusto, tudo o que possa pôr em
perigo a relação do indivíduo com os kamis. A impureza é associada
principalmente à doença e à morte, mas
todas as funções carnais também geram impureza.
Todo serviço
divino começa com uma purificação, que pode consistir apenas em lavar a boca e
despejar um pouco de água na ponta dos
dedos. No templo, ela é realizada pelo sacerdote, que agita um cajado especial
diante dos indivíduos ou objetos a serem
purificados. Na ponta desse cajado da purificação se encontram amarradas
fitas de papel ou fios de linho, que o tornam semelhante a uma vassoura.
SACRIFÍCIO
Se as
oferendas prescritas não são feitas, o indivíduo pode perder contato com
os kamis e
sofrer infortúnios. A oferenda pode consistir em dinheiro,
alimentos ou bebidas. As diversas atividades artísticas ou esportivas
associadas às festividades
do templo também têm um
significado religioso e devem ser consideradas uma espécie de sacrifício.
Dança, teatro, luta e arco e flecha são atividades que se realizam em honra aos
deuses.
ORAÇÃO
A oração em
geral começa com uma expressão de louvor
ao kami a quem se dirige e uma
expressão de gratidão por sua benevolência. Também se faz frequente alusão à
origem mítica relacionada com a oração, em outras palavras, seu
fundamento místico. Depois se especificam as oferendas, com o nome da
pessoa que está fazendo o sacrifício; a seguir, pode-se incluir um pedido em
forma de oração.
REFEIÇÃO
SAGRADA
Na conclusão
da cerimônia há um naorai — uma refeição com os kamis. O sacerdote dá a cada um
dos presentes uma pequena quantidade de vinho de arroz.
O culto no lar
Em quase
todos os lares existe um pequeno altar chamado kamidana. Neste, há objetos
simbólicos, como um amuleto para o kami, um pequeno espelho, uma vela, um vaso
contendo galhos da árvore sakaki.
Dá-se início
ao ritual lavando a boca e as mãos. Em seguida, põe-se um sacrifício diante do
altar; pode ser algo tão comum como uma tigela com água ou alguns grãos
de arroz. O
suplicante senta ou fica em pé
sobre um tapetinho, com a cabeça respeitosamente curvada. Após uma pequena
oração, ele inclina a cabeça duas vezes, bate palmas duas vezes com as mãos
erguidas e inclina mais algumas vezes a cabeça para finalizar o culto. Todos os
alimentos que foram oferecidos são depois retirados e comidos à mesa.
Tenri-kyo
A tenri-kyo
tem suas raízes na religião nacional japonesa, o xintoísmo, mas sofreu
influências de várias outras. Foi iniciada em
1838 por uma mulher, Miki Nakayama. O deus Oya-gami lhe fez muitas
revelações divinas e passou a habitar dentro dela.
Essas revelações estão
registradas em escritos
sagrados, um dos quais afirma:
"Meus atuais pensamentos são expressos pela boca de Miki Nakayama. É
verdade que é uma boca mortal que fala, mas são os pensamentos de um deus que
formam as palavras".
A tenri-kyo
é uma religião monoteísta. O deus Oya-gami é o único deus verdadeiro: criou o
mundo e tudo o que há nele. O homem foi criado para a alegria e a
realização plena na vida. O pecado implica que a pessoa é ingrata para
com Deus e seus dons, e o caminho
da salvação é viver uma vida contente aqui e agora. Como diz uma das
revelações: "O deus da criação fez o homem para que este se deleite em sua feliz existência".
O lado
criacional é fundamental na tenri-kyo.
Isso se evidencia em seu culto,
no qual se representa a criação numa dança ritual. Nessa dança, pede-se a Deus
que abençoe tudo o que criou. Como ocorre no xintoísmo, é importante que Deus
garanta a renovação de todas as coisas vivas, da vida
humana e da
vida natural.
Um aspecto
da renovação da vida é a ênfase especial
posta pela tenri-kyo na cura do sofrimento e da doença. Uma bênção dada
durante o serviço diário do templo diz: "Atenda ao serviço divino
diligentemente todos os dias, pois isso irá protegê-lo contra todos os infortúnios.
Tomando parte ativa no serviço divino, até as
doenças mais sérias serão curadas".
O objetivo da tenri-kyo é que todo mundo ouça
a mensagem. Então, um estado de perfeita felicidade passará a existir na Terra.
A cidade em que Miki Nakayama recebeu sua revelação se chama Tenri. Ali se encontra a sede desta
religião, um enorme edifício que pode abrigar 25 mil pessoas. Essas sedes imensas
— muitas delas construídas em
belo estilo arquitetônico — também são típicas de algumas das outras novas
religiões do Japão. A tenri-kyo está
envolvida em ampla atividade missionária nas Américas e em vários países da
Ásia.
Religiões africanas
Três
religiões dominam a África moderna. O cristianismo se encontra sobretudo no Sul
e ao longo dos litorais leste e
oeste. O centro do islã fica na África setentrional
árabe, mas historicamente essa religião sempre teve penetração também ao sul do
Saara. Há, por fim, as religiões primais, ou tribais, ou tradicionais, as
mais difundidas antes da
invasão cultural ocidental
e árabe. Na
África moderna, a estrutura tradicional baseada na aldeia está desaparecendo
e, juntamente com
ela, o fundamento
das antigas religiões, que era a vida familiar e tribal.
As religiões
africanas tradicionais não têm textos escritos, o que torna seu estudo difícil
para os pesquisadores. Boa parte do conhecimento que temos sobre essas
religiões, reunido durante os últimos séculos, apoia-se nos relatos de
observadores europeus, sejam eles mercadores, colonizadores ou missionários.
Tais descrições são muito influenciadas pelas constantes comparações entre a
vida religiosa e cultural do local e o cristianismo e a
cultura ocidental. Mais
recentemente, etnólogos e antropólogos sociais vêm se utilizando de métodos
científicos modernos para estudar as religiões africanas, porém mesmo eles as veem
de uma perspectiva externa.
Uma fonte de
conhecimento sobre as religiões
africanas são os mitos que sobreviveram
por meio da tradição oral, mas
também se deve considerar
que o conteúdo
das histórias contadas
pode ter se alterado ao longo das gerações. As
religiões primais, assim como todas as outras, são influenciadas por fatores
externos, e muitas adotaram elementos do islã ou do cristianismo. Uma
característica das religiões africanas mais recentes são os milhares de movimentos
sincretistas que surgiram em
torno das missões cristãs.
Ao agrupar
as religiões africanas sob um
só rótulo, deve-se ter em mente que seu número equivale
ao de povos existentes na África. Cada uma tem seu próprio nome para
Deus, seus próprios rituais de culto, suas idiossincrasias. Por outro lado,
elas apresentam também muitos traços em comum, pois os africanos não
viveram uma existência estática,
isolada. Sua história fala de diversas migrações, dos contatos que cruzaram as
divisões tribais e da
formação de grandes Estados. É necessário notar ainda que a maioria dos
africanos não urbanos são agricultores e criadores de gado. Há apenas alguns
grupos de caçadores-coletores.
Papel essencial da tribo e da família
O termo
tribal, quando associado às religiões africanas, oferece-nos uma chave para
compreender algo essencial sobre elas.
A tribo — ou
o clã, grupo de parentesco ou família extensa — forma o arcabouço para a
existência diária do africano. O respeito por essa instituição é mais importante do que
o respeito pelo indivíduo. O que
é especial no
conceito que esses
africanos têm de família (ou tribo) é que ela compreende, além
dos vivos, os mortos. O ancestral permanece próximo à tribo; torna-se uma espécie
de espírito vivendo num mundo à parte, ou pairando sobre o lar
para garantir que seus
descendentes observem os costumes.
O costume, ou a organização da sociedade, ou
ainda a "constituição", para usar um nome mais moderno, foi
estabelecido quando a tribo passou a existir, numa época que os mitos chamam de
"o princípio dos tempos". O dever dos vivos é assegurar a preservação
dessa organização, o que se consegue obedecendo cuidadosamente a todas as
regras e, acima de tudo, fazendo sacrifícios aos espíritos dos ancestrais.
Entretanto,
a família não
consiste apenas nos
vivos e nos mortos, mas também
nos ainda não nascidos, nos descendentes. E dever do
indivíduo dar continuidade à
família. Um dos
piores infortúnios pessoais é morrer sem deixar filhos.
Quando uma
família se extingue, a conexão dos espíritos ancestrais com a Terra é cortada,
pois não sobra ninguém para manter contato com eles. Assim, se um homem
tem mais de uma esposa e gera muitos filhos, sua alma fica em paz. Ele
sabe que depois da morte sua alma não será
forçada a vagar
pelo espaço vazio, desconectada da Terra, pois estará
sempre ligada a alguém.
Uma das
tarefas mais importantes do homem é
tomar conta do território que foi
outorgado à tribo por seus
pais fundadores, terra que, por
sua vez, será passada aos descendentes
dele. Em outras palavras, não há propriedade privada
da terra e ela não pode ser vendida aos pedaços.
O CHEFE
TRIBAL
A tribo é
liderada por um chefe ou rei. O papel do rei e
seu poder variam de tribo para
tribo e sofreram mudanças no decorrer da história, em particular depois da
colonização da África
pelas potências europeias. Europeias
O rei não é apenas um líder político, mas
ainda um juiz em exercício, o guardião da justiça e da lei. Com muita frequência,
é ele também o sacerdote responsável pelos sacrifícios da tribo.
O motivo por
que o rei acumula todas essas
diferentes funções é que não há uma demarcação clara entre política,
religião, lei e moral.
Cada uma dessas formas é parte do princípio — o costume —sobre o qual aquela sociedade tribal
está construída.
O rei é o
guardião cotidiano desses preceitos; ele personifica o contato com os
antepassados, com a tradição. E também o representante dos deuses na Terra, bem
como porta-voz dos homens perante os deuses.
DEUSES E
ESPÍRITOS
Baseando-se
nos mitos, que nunca eram
escritos, mas passados oralmente
de geração em geração, os estudiosos já tentaram descobrir o que caracteriza a
crença divina dos africanos.
Na maioria
das tribos existe a crença num deus supremo, embora este receba muitos nomes.
Normalmente associado ao céu, é ele que concede a fertilidade, e em alguns mitos é
representado ao lado da deusa
associada à terra.
Foi
esse deus supremo
que criou todas
as coisas vivas,
os animais e o
ser humano. Foi ele
ainda o responsável
pelos decretos que regulam a
sociedade, pelos costumes a que a tribo tem o dever de obedecer. Com freqüência
ele é também o deus do destino, que
governa a vida dos seres humanos e controla a boa ou má fortuna da
tribo.
As vezes,
esse ser supremo é chamado de "deus em repouso", por estar
remotamente afastado da vida cotidiana. Certos mitos relatam que havia um
contato íntimo entre o deus e o homem no início dos tempos, quando tudo era bom;
só que houve um desentendimento e o deus se afastou. É apenas em circunstâncias
excepcionais, quando as pessoas estão passando por graves necessidades, que elas recorrem ao deus supremo.
De modo geral, não precisam
perturbá-lo, preferindo se
voltar para deuses
e espíritos menores.
Esses outros
deuses, forças e espíritos se encontram nas florestas, nas planícies e nas
montanhas, nos rios e nos lagos. São intimamente associados a fenômenos
naturais distintos: o raio e o trovão, as grandes cachoeiras, uma primavera
quente, alguma árvore enorme ou uma
rocha com formato
estranho. A religião ganda, praticada pelo povo Baganda, de Uganda, tem um
deus supremo chamado Katonda, porém o culto mais importante se dirige a uma
constelação de divindades menores. Uma delas é o deus da água, Mukasa, o qual
governa a fertilidade e a saúde. Há ainda o deus da guerra, Kibuka, que no
passado exigia sacrifícios humanos. Também
é
costumeiro tratar os espíritos
dos mortos com respeito; o
culto aos antepassados é um dos
aspectos mais típicos da religião africana.
CULTO AOS
ANTEPASSADOS
Os
antepassados são invisíveis, mas acredita-se que mantenham a aparência que
tinham em vida, ou talvez sejam um pouco menores.
Os africanos não têm nenhum conceito de
divisão entre corpo e alma e não crêem que é a alma que sobrevive. Os espíritos
já foram comparados a sombras ou duplos dos mortos, capazes de estar em vários
lugares ao mesmo tempo: no túmulo, no
mundo dos mortos ou em fenômenos
próximos ao homem.
Uma noção comum é que os mortos vivem no mundo
deles da mesma maneira que viviam neste. Até seu status social é mantido.
Eles se
revelam aos vivos sobretudo
em sonhos, mas também
como animais e outros objetos naturais.
Cada homem
adulto que morre se torna um espírito ancestral ou um deus ancestral para os
que ficaram vivos, mas nem todos exercem o
mesmo papel, nem constituem objetos do
mesmo culto. Os mais importantes
são os espíritos dos pais de família,
dos patriarcas e dos chefes da
tribo. O homem que
é considerado o pai
fundador de uma
linhagem de chefes
com freqüência é cultuado como um deus acima de todos os
outros, uma divindade nacional.
Culto aos
antepassados é uma expressão que implica
interação entre os vivos e os mortos. Os vivos obtêm força e socorro de seus ancestrais; ao mesmo tempo, os
mortos dependem das oferendas de seus descendentes: é por meio desses sacrifícios que adquirem sua força e potência. Se não receberem oferendas,
irão "morrer", isto é, cessar completamente de existir.
Fazer um
sacrifício a um ancestral pode ser algo bastante simples. Um
membro da tribo
vai até o
túmulo de seu
pai, por exemplo,
oferece uma pequena
quantidade de comida
e bebida, e pede ajuda para resolver uma
situação difícil.
Mais comum é
a oferenda familiar coletiva. Esta é comandada pelo chefe da família e presta
homenagem aos pais já falecidos, os espíritos mais proeminentes. Ter status é
fundamental, e o chefe da família é o único que tem o direito de fazer esse
sacrifício; só que ele o faz em nome de toda a sua família.
O chefe da
tribo é responsável pelos sacrifícios do grupo mais extenso. Em nome de toda a
tribo, ele se dirige aos espíritos de antigos chefes e faz orações pedindo uma
boa caça ou uma boa safra. Na época da colheita, os primeiros frutos são
oferecidos aos espíritos dos chefes. Selecionam-se os melhores produtos em
honra dos espíritos, e com o acompanhamento de orações, cantos e danças, as
pessoas — em geral usando máscaras e outros adornos —
expressam sua gratidão
e oram para continuar tendo
proteção.
Os especialistas em religião
O papel do
chefe ou rei muitas vezes inclui as funções de sacerdote, mas há também uma
série de
outros especialistas religiosos: curandeiros, adivinhos, oráculos,
profetas e magos fazedores de chuva.
CURANDEIROS
Nganga é uma
palavra empregada entre os povos de idioma banto, no Sul da África, e pode ser
traduzida simplesmente por "médico" ou "doutor". O nganga é
bastante familiarizado com muitas das causas físicas das doenças, e utiliza
ervas e plantas da medicina popular em sua prática médica. O tratamento, porém,
costuma ser acompanhado de amuletos e fórmulas mágicas para controlar os
espíritos maus. É uma crença
comum a existência
de "bruxas" e "feiticeiros",
pessoas que tentam fazer mal aos outros usando,
por exemplo, a magia
negra. A tarefa
do curandeiro é
anular o feitiço, possivelmente empregando os mesmos métodos
mágicos.
MAGIA
A magia é
definida como "a capacidade de influenciar os acontecimentos aliciando os
seres espirituais ou ativando forças naturais ocultas". Muitas sociedades
tribais africanas têm fazedores de chuva. Eles usam a chamada magia homeopática
quando querem que chova ou quando querem que a chuva cesse.
Se querem chuva, podem, por exemplo, imitar seu ruído
despejando água numa peneira. Podem também saltitar agachados, coaxando, como
fazem os sapos quando chove. Ou ainda podem cobrir a cabeça com uma folha de
palmeira, fingindo que está chovendo. Se, por outro lado, querem que a chuva cesse, podem acender uma fogueira
imitando o sol. A magia homeopática se baseia no princípio "semelhante
atrai semelhante". Acredita-se na existência de uma conexão entre dois fenômenos que se parecem. Se se cria uma situação de chuva,
a chuva necessariamente tem que cair.
Outro tipo é
a magia de contágio, a qual age segundo o princípio de que há uma conexão entre
as partes e o todo. Se, por exemplo, alguém possui algo — uma peça de roupa,
alguns fios de cabelo ou um fragmento de unha — que pertence a um inimigo,
terá poder sobre este. Se qualquer uma dessas coisas for
agredida, seu possuidor também sofrerá.
É igualmente comum considerar que o nome é parte da pessoa. Assim, em muitos lugares as
pessoas receiam dizer seu nome, temendo
que alguém possa utilizá-lo para fazer mal a elas.
ADIVINHAÇÃO
E PROFECIA
Os adivinhos
são especialistas em interpretar as mensagens dos espíritos. Alguns curandeiros são
adivinhos e empregam suas técnicas para fazer diagnósticos. Mas os adivinhos
também podem aconselhar sobre o que fazer numa determinada situação ou sobre como apaziguar a ira dos deuses.
Eles possuem
muitas técnicas. O adivinho pode usar, por exemplo, um cesto contendo vários
objetos. Cada um deles tem um significado simbólico; cada um indica certa situação
ou característica humana. Quando se sacode a cesta, os objetos saem do
lugar; o adivinho então examina quais objetos ficaram por cima e suas posições
relativas.
Atirar objetos para o ar e ver de que maneira
caem também é uma prática comum. Os adivinhos pertencentes ao povo Chona, do
Zimbábue, utilizavam quatro pedaços de osso ou de madeira, que representavam um
velho, uma velha, um rapaz e uma moça, e tinham marcas mostrando seu lado de
cima e seu lado de baixo. Com base nas posições relativas desses objetos ao
caírem ao chão, o adivinho tirava suas conclusões.
Não se trata
apenas de algo como tirar a
sorte com números ou jogar
cara-ou-coroa. O adivinho considera que a resposta obtida é uma mensagem vinda
dos espíritos ou dos deuses. Mas eles também podem se
manifestar diretamente, por
intermédio de certos indivíduos especiais. Usando a música
e a dança, esses indivíduos entram em transe e ficam "possuídos" por
um espírito, que se faz conhecer e pode ser interrogado pela pessoa que está
possuída. Tais indivíduos são valiosos
conselheiros na comunidade
e desfrutam de um status elevado
no culto. Outros atuam como profetas
independentes.
RITOS DE
PASSAGEM
Alguns
especialistas religiosos são responsáveis pela vida ritual. De especial
importância são os ritos de passagem associados com o nascimento, a morte, a
puberdade e o casamento.
Quando os
meninos da tribo passam da infância para a idade adulta, devem se submeter aos
chamados ritos da puberdade. Os Baluba, um povo banto, começam isolando os
meninos do resto da comunidade e sobretudo das mulheres, até mesmo de suas
mães. Eles são então circuncidados e enviados à floresta para um duro teste de
várias semanas durante o qual aprenderão também as crenças e os costumes de
seus antepassados. Quando por fim retornam à aldeia, são considerados homens adultos, prontos para
casar e ter filhos.
Fonte: GAARDER, Josteins; HELLERN , Victor; NOTAKER, Henry. Livros das Religiões.

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