O hinduísmo é uma religião da Índia, mas tem muitos adeptos
também no Nepal, em Bangladesh e no Sri Lanka. Depois de muitos anos de domínio
colonial britânico, em 1947 a Índia se tornou uma república independente: um
Estado secular (não religioso), com uma constituição que garantia direitos
iguais para todas as denominações religiosas e proibia qualquer forma de
discriminação baseada em religião, raça, casta ou sexo. Hoje cerca de 80% da
população da Inida é hinduista. 10% muçulmano e 4 % cristã.
Embora o budismo tenha se originado na Índia e sob esse
aspecto possa ser considerado uma religião indiana, pouco resta do budismo na
Índia de hoje; ele é mais difundido no Sri Lanka e no Sudeste da Ásia.
Entretanto, o budismo também tem uma longa e importante história na China, na
Coréia e no Japão. Excluindo a China, estima-se que quase 200 milhões de
pessoas professam a fé budista.
Em 1947, a
tensão entre hinduístas
e muçulmanos em razão da
independência da Índia resultou
na criação como um Estado
muçulmano separado, dividido em duas partes distintas, o Paquistão do Leste e
o Paquistão do Oeste. Depois da guerra de 1971 entre
a Índia e
o Paquistão, o
Paquistão do Leste
se tornou um Estado independente com o nome de Bangladesh.
Outros países asiáticos dominados pelo islã são a Malásia e a
Indonésia. Nas Filipinas, país que
permaneceu colônia espanhola até o final
do século XIX, predomina o catolicismo romano (cerca de 80% da população).
HINDUÍSMO
o que é o hinduísmo?
Diferentemente das outras religiões mundiais (budismo,
cristianismo e islã), o hinduísmo não tem fundador, nem credo fixo nem
organização de espécie alguma. Projeta-se como a "religião eterna" e
se caracteriza por sua imensa diversidade e pela capacidade excepcional que vem
demonstrando através da história de abranger novos modos de pensamento e
expressão religiosa.
A palavra hinduísta significa simplesmente
"indiano" (da mesma raiz do
rio Indo), e talvez a melhor
maneira de definir o hinduísmo seja dizer que é o nome das várias formas de
religião que se desenvolveram na do Norte, de 3 a 4 mil anos atrás. O
cristianismo e o judaísmo também têm uma história que se estende por milhares
de anos, mas o peculiar no hinduísmo é que todos os seus estágios históricos
são visíveis simultaneamente. Apesar de sua complexidade, ainda se pode
experimentar o hinduísmo como um todo. Assim, ele já foi comparado a uma
floresta tropical, onde várias camadas de animais e de plantas se desenvolvem
num grande meio ambiente.
A RELIGIÃO VÉDICA
As raízes do
hinduísmo podem ser
encontradas em algum ponto entre o ano 1500 a.C. e o ano 200 a.C.,
quando os chamados arianos (isto é, os "nobres")
começaram a subjugar o vale do Indo. As crenças dessas pessoas tinham ligação
com outras religiões indo-européias, como a grega, a romana e a germânica.
Sabemos disso pelos chamados hinos védicos (da palavra Veda, ou seja,
"conhecimento"), que eram
recitados por sacerdotes durante
os sacrifícios a seus muitos
deuses. O Livro dos Vedas
consiste em quatro
coletâneas, das quais
certas partes datam
de cerca de 1500 a.C.
O sacrifício era importante para o culto ariano. Faziam-se
oferendas aos deuses a fim de conquistar seus favores e manter sob controle as
forças do caos.
Achados
arqueológicos no vale
do Indo indicam
que houve uma civilização
avançada na Índia,
anterior à chegada
dos indo- europeus, e é
certo que essa
civilização também contribuiu para o hinduísmo moderno. A época
conhecida como período védico tardio, de 1000 a.C. até 500 a.C., marcou uma
virada crucial no desenvolvimento religioso da Índia. Importância especial tiveram
os Upanishads, que
até hoje são
os textos hinduístas mais lidos.
Foram escritos sob a forma de conversas entre mestre e discípulo, e introduzem
a noção de Brahman, a força espiritual essencial em que se baseia todo o
universo. Todos os seres vivos nascem do Brahman, vivem no Brahman e ao morrer
retornam ao Brahman.
AS CASTAS, AS VACAS E O CARMA
O hinduísmo moderno compreende uma grande variedade de idéias
e formas de culto. Será que os hinduístas têm alguma coisa em comum? Sim. Uma
boa definição seria: as castas, as vacas e o carma.
SISTEMAS DE CASTAS
Todas as sociedades
têm várias formas de distinção e estratificação em classes, mas é difícil
encontrar um país onde isso tenha sido praticado tão sistematicamente quanto na
Índia. Desde os tempos antigos sempre houve quatro classes sociais (a palavra
sânscrita empregada é varna, que significa "cor"):
* sacerdotes (brâmanes);
* guerreiros;
* agricultores,
comerciantes e artesãos, e
* servos.
Porém, à medida que a sociedade indiana se
desenvolveu, as pessoas foram sendo divididas em novas castas. No início do século XX havia em torno
de 3 mil castas.
Não se sabe como surgiu o sistema de castas, e não há prova
definitiva de que se trata de uma evolução do sistema de quatro classes. Seria
mais verdadeiro dizer que esse sistema de classes se ajusta bem às castas.
A palavra inglesa caste
vem do português
casta (feminino de casto, "puro"); o termo usado na Índia é
jati, que significa "nascimento" ou "tipo". As castas em
geral se
associam a
profissões especiais. Uma
aldeia indiana pode
conter de vinte a trinta dessas castas, e com
freqüência cada uma
ocupa um agrupamento especial de casas. Cada casta tem suas próprias
regras de conduta e de prática religiosa, que determinam com
quem a pessoa pode se casar, o que ela
pode comer, com quem pode se associar e que tipo de trabalho pode realizar. A
base religiosa desse sistema é a noção de pureza e impureza. O contraste entre
o que é "limpo" e o que é "impuro" permeia todo o hinduísmo.
Para um brâmane, tudo o que tenha a ver com as
coisas corporais ou
materiais é impuro. Se ele se tornou impuro como resultado do
nascimento, da morte ou do sexo — ou por meio do contato com um indivíduo
"sem casta", ou membro de uma casta inferior —, há diversas maneiras pelas quais ele pode se
purificar. O método tradicional mais conhecido de purificação utiliza a água de
um dos muitos rios sagrados da Índia, como o Ganges.
As regras que governam a pureza formam a base da divisão de
trabalho na comunidade. Certas atividades e certos trabalhos são tão impuros que somente determinadas castas podem
realizá-los. Essas castas têm o dever de
ajudar os outros grupos a manter sua
pureza. Por outro lado, apenas as
castas que preencham os requisitos
da pureza podem se aproximar dos
deuses mais elevados. Para que isso ocorra com mais facilidade, outras pessoas
devem ser impuras. Entretanto, todos se beneficiam da limpeza dos
"puros", pois todos os hinduístas tiram proveito dos ritos que são
praticados.
O sistema
de castas deu
um contexto à
vida do indiano, assim como fez a tribo para o africano. Ser
expulso de sua casta é o pior castigo
imaginável, e só é usado para os crimes particularmente sérios. O nível mais
baixo no sistema de castas é o dos "intocáveis" ou "sem
casta" (também chamados "párias"); por exemplo, os criminosos,
os lixeiros e
os que trabalham
curtindo o couro
dos animais. Os cristãos e os muçulmanos ficam totalmente fora
do sistema de castas.
As complexas regras que controlam o contato social entre as
castas eram muito rígidas; mas a Constituição indiana, que entrou em vigor em
1947, introduziu certas medidas para
banir a discriminação por casta. Como não basta mudar
a legislação para acabar com antigas divisões sociais e religiosas, o sistema
de castas continua tendo um papel importante, em especial nas aldeias.
A VACA SAGRADA
A vaca é um animal sagrado na Índia e é adorada durante certas festas religiosas. Isso
provavelmente se relaciona com um antigo culto de fertilidade; nos Vedas há hinos à
vaca, pois ela supre tudo o que é
necessário para sustentar a vida. A vaca se
tornou um símbolo da vida, e não é permitido matá-la. Muitos
ocidentais têm uma visão bastante negativa desse fato. Segundo eles, as vacas
deveriam ser mortas para fornecer
alimento à legião de famintos da Índia. Entretanto, considerando o lugar que a
vaca ocupa na agricultura indiana, vemos também
aspectos positivos: 70% da população vive do cultivo da terra, e há uma grande falta de
animais de tração num país em que o
trator é pouco difundido. Além disso, o
excremento das vacas é útil não
só como fertilizante mas também como combustível.
Em termos de culto, a vaca é mais "pura" do que o
brâmane. Assim, a pessoa que toca uma vaca está ritualmente limpa. Todos os
produtos derivados da vaca — o leite
e a
manteiga — são utilizados em diversas cerimônias de purificação. Até
mesmo o excremento e a urina da vaca são tão sagrados que podem ser usados como
agentes de purificação.
Os hinduístas têm outros animais sagrados além da vaca, em especial o macaco, o crocodilo e a cobra. De
modo geral, eles não gostam de tirar a vida. Isso transformou muitos hinduístas
em vegetarianos e também abriu caminho para o ideal da não-violência, que ficou
mais conhecido no Ocidente com a luta de Gandhi para tornar a Índia
independente do colonialismo britânico.
CARMA E REENCARNAÇÃO
Um conceito-chave na filosofia dos Upanishads é que o homem
tem uma alma imortal. "Ela não
envelhece quando você envelhece, ela não
morre quando você morre."
Um hinduísta acredita que, depois da morte de um indivíduo,
sua alma renasce numa nova criatura vivente. Pode renascer numa casta mais alta
ou mais baixa, ou pode passar a habitar um animal.
Há uma ordem inexorável nesse ciclo que vai de
uma existência a outra. O impulso
por trás dela, ou que a mantém sempre em movimento, é o karma do homem, palavra
sânscrita que significa "ato". Porém, nesse caso, ato se refere a
pensamentos, palavras e sentimentos, não apenas a ações físicas.
A idéia de que todas as
ações têm conseqüências — e
de que essas
conseqüências podem aparecer
depois da morte
— não é, de modo algum, peculiar ao hinduísmo. Aqui, a
originalidade está no conceito de que todas as ações de uma vida, e somente
elas, formam a base para a
próxima. Assim, o
carma não é
uma punição pelas más impessoal — como uma lei natural.
O hinduísmo não reconhece nenhum "destino cego" nem
divi- na providência. A responsabilidade pela vida do hinduísta no dia de hoje — e por sua próxima encarnação — será
sempre dele. O homem colhe aquilo que semeou. Os resultados das ações — ou frutos
de uma vida — derivam dessas ações
automaticamente. Poderíamos dizer que a transmigração está sujeita à lei
da causa e efeito.
Em outras palavras, o que a
pessoa experimenta nesta
vida em termos de riqueza ou pobreza, alegria ou tristeza, saúde
ou doença, é resultado de suas ações numa vida anterior. É
desse modo que os hinduístas explicam as
diferenças entre as
pessoas. A doutrina do carma dá sustentação a um esquema
de relações sociais como o sistema de castas.
Embora a pessoa deva se submeter ao carma que herdou
de uma vida anterior, ela também exerce o livre-arbítrio no âmbito de sua
existência atual. Portanto,
o indivíduo sempre
pode melhorar seu carma,
e assim lançar
as fundações para
uma vida melhor
na próxima encarnação.
TRÊS VIAS DE SALVAÇÃO
Durante o período védico, a doutrina do carma e a da
reencarnação eram vistas como algo positivo. Por meio dos sacrifícios e das boas ações, o indivíduo podia
garantir que iria viver várias vidas. Mais tarde, o hinduísmo passou
a considerar esse ciclo como algo negativo, como um círculo vicioso a
ser quebrado.
O hinduísmo não possui uma doutrina clara e não ambígua sobre
a salvação que explique de que modo o
homem pode escapar do interminável e cansativo ciclo das reencarnações.
Dentro do hinduísmo há uma grande quantidade de movimentos e seitas com visões
divergentes.
Apesar disso, é possível distinguir três caminhos
diferentes para a graça, que
exerceram papel relevante na história da Índia — e continuam prevalecendo no
hinduísmo moderno. São as Vias do sacrifício, do conhecimento e da devoção.
É importante não pensar que essas vias sejam movimentos
religiosos organizados. Trata-se, na verdade, de três tendências principais
dentro do hinduísmo. O caminho escolhido pode depender do indivíduo. Mas um
hinduísta também pode se inspirar nessas três vias.
A VIA DO SACRIFÍCIO
Como já vimos, a
palavra indiana para "ato" é
karma. Hoje ela é usada para denotar todos os atos humanos — ou
o resultado coletivo desses atos.
No período védico, o termo se referia basicamente a atos religiosos ou rituais, em especial aos
atos sacrificiais. Estes eram necessários para incrementar a fertilidade e
manter a ordem universal. Esse antigo
costume sacrificial, minuciosamente descrito nos Vedas, continua a desempenhar
um papel capital no hinduísmo. Fazendo sacrifícios e boas ações, muitos
hinduístas tentam obter a felicidade terrena, boa saúde, riqueza e copiosa
descendência. Em última análise, o objetivo permanece o mesmo de outras
correntes do hinduísmo: libertar-se do círculo vicioso da transmigração do
espírito.
A VIA DA COMPREENSÃO OU DO CONHECIMENTO
Segundo uma idéia central dos Upanishads, é a ignorância do
homem que o amarra ao ciclo da reencarnação. Compreender a verdadeira natureza
da existência — o oposto da ignorância — será, portanto, um caminho para a
salvação. É apenas quando o homem adquire o reto conhecimento que ele é
redimido da implacável roda da transmigração.
O conhecimento que traz a salvação é o de que a alma humana
(atmã) e o mundo espiritual (Brahman) são uma coisa só. O atmã é uma parte integrante não só dos seres
humanos, mas também se encontra nas plantas e nos animais. Isso é conhecido
como panteísmo (veja página 20).
O Brahman é o princípio construtivo do universo, uma força
que permeia tudo, uma divindade impessoal. Todas as almas individuais são reflexos dessa única
alma universal. E
como a lua, que se reflete em muitos lagos. Pode
haver um número infinito desses reflexos, mas existe uma só lua.
O homem é libertado da transmigração ao adquirir plena com-
preensão da unidade entre atmã e Brahman. O objetivo é se dissolver no Brahman,
assim como uma gota de chuva se dissolve no mar. O homem tem uma centelha divina
em seu interior. E mesmo que ele seja obliterado como indivíduo, sua origem
divina permanece e vai se unir novamente com o espírito universal.
A VIA DA DEVOÇÃO
Uma terceira rota para
a salvação, proposta
que começou a se difundir no Sul da Índia por volta de 600
a.C. e logo se espalhou por todo
o subcontinente, é a via da devoção. Já no século III a.C. esse caminho para a
graça encontrara sua expressão clássica no Bhagavad Gita, um poema catequético.
Essa terceira tendência
do hinduísmo é a que predomina na Índia moderna, e o Bhagavad Gita é o
livro sagrado que ocupa o lugar supremo na consciência do indiano médio.
Todas as três vias de salvação se baseiam na doutrina
do carma. A via do sacrifício realça o fato de que o
homem pode encontrar a salvação
agindo de maneira correta ritualmente. As tendências filosóficas com freqüência
representam o ponto de vista oposto. Com a ajuda da ascese ou da contemplação,
as pessoas procuram suprimir todo carma pessoal — a fim de abandonar o
ciclo de uma vez por todas.
Sem rejeitar esses caminhos tradicionais
para a salvação, o Bhagavad Gita aponta
um caminho melhor e mais fácil. Se um homem se dedica a Deus e age
desinteressadamente, isto é, sem pensar em ganhos e vantagens, ele será, pela
graça de Deus, libertado da
transmigração.
O Bhagavad Gita abre o caminho para uma associação mais
pessoal com Deus do que os Vedas ou os Upanishads. Ela
se caracteriza pelo amor e a
devoção (bhakti) do homem para com Deus, num relacionamento eu-tu. Isso não
significa que o Bhagavad Gita rejeite o sacrifício ou o conhecimento religioso.
Muito pelo contrário
— tanto o
"sacrifício material" como o "sacrifício da compreensão"
são vistos sob uma luz positiva, pois a
divindade que recebe o sacrifício é
o mesmo Brahman do filósofo. Mas nem os sacrifícios nem os exercícios de
ioga devem ser realizados com o intuito
de se ganhar algo em troca, pois nem uma coisa nem outra, isoladamente, é capaz
de alcançar qualquer resultado.
Em última análise, é a misericórdia divina que salva uma pessoa do ciclo
— e não seus
próprios esforços. Portanto, o caminho mais
seguro para a salvação é o
bhakti, a devoção a Deus e a crença nele. Outro ponto importante é que todas as pessoas,
independentemente de sexo ou casta, podem conseguir a graça se se
devotarem a Deus.
CRENÇA DIVINA
A multiplicidade do hinduísmo também se manifesta em seu
conceito de Deus. Em sua forma mais filosófica, o conceito hindu de divindade é
panteísta. A divindade não é um ser pessoal, mas uma força, uma energia que
permeia tudo: os objetos inanimados, as plantas, os animais e os homens. No
extremo menos filosófico do espectro há um conceito politeísta, que acredita
num grande número de deuses. Quase todas
as aldeias têm a sua própria divindade local.
A adoração divina se concentra em dois deuses em particular,
ambos com raízes védicas. Um deles é Vishnu. E um deus suave e amigável,
normalmente representado como um lindo jovem.
Sua maior importância no
hinduísmo moderno deriva de seus "avatares" ou revelações, como Rama
e Krishna. Especialmente popular é
Krishna, adorado como o onipresente senhor do mundo. Costuma ser retratado como
um pastor de ovelhas, e suas aventuras eróticas com as pastoras são interpretadas simbolicamente
como o amor de Deus pelo homem. O
relacionamento de Krishna com
sua amada, Rhada, é explicado da mesma maneira. O amor entre os
dois, sua separação e reconciliação são uma metáfora para o anseio que a alma
sente por Deus e por sua união final com ele.
O outro deus com grande significado para o culto é Shiva.
Ele é o deus da meditação e dos
iogues, e em geral o retratam como um asceta. E igualmente um deus do desvario
e do êxtase, tanto criador como destruidor, o que o torna ao mesmo tempo
aterrorizante e atraente. E ele quem traz a doença e a morte, mas é também o
que
cura. Na devoção bhakti ele é visto como um deus cheio de
compaixão, que salva o homem da transmigração.
A filosofia religiosa indiana se baseia na crença num
deus eterno, mas não especifica se esse
deus é Vishnu, Shiva ou
algum outro. Deixa-se a cargo do
indivíduo decidir de que maneira esse deus deve ser adorado. Nos círculos
acadêmicos é comum ver Vishnu e Shiva formando uma trindade com o deus Brahma.
Brahma é
o criador, quem faz o mundo. Vishnu é o sustentador, que protege as leis
naturais e a ordem universal. E Shiva é o destruidor, que no final de cada
época dança sobre o mundo até reduzi-lo
a pedaços. Uma vez que isso acontece, Brahma tem de criar o
mundo novamente. Assim, essas três personagens, ou "máscaras",
representam três aspectos de Deus: o criador, o sustentador e o
destruidor. Essa doutrina
trinitária, no entanto, tem pouca relevância na devoção popular.
DEUSAS
O hinduísmo tem uma série de deusas. Alguns
adotam a teoria de que essa abundância de deusas não
passa da expressão de uma grande e
poderosa divindade feminina, a "Rainha do Universo" ou
"Deusa-Mãe". Sua manifestação mais conhecida é Kali, a deusa negra,
adorada sobretudo no Leste da Índia e a quem se sacrificam animais. O alto
status de Kali no mundo dos
deuses é evidente pelas imagens que a mostram pisoteando o corpo de
Shiva.
A importância das deusas na religião indiana é visível pela
es- colha da "Mãe Índia" (Bhárata Mata) como a divindade nacional do
moderno Estado da Índia. Na cidade de Varanasi há um templo especial que lhe é dedicado. Ali, em vez de
uma representação da deusa, está exposto
um mapa da Índia.
DIVINDADES MENORES
A maioria das aldeias tem seu templo dedicado a Vishnu ou a
Shiva. Esses deuses se concentram
nas questões maiores,
universais, e em geral são homenageados nos grandes festivais. Num nível
mais terra-a-terra, as pessoas costumam visitar os pequenos templos dedicados a
divindades menos importantes. Embora não sejam tão poderosas como Vishnu ou
Shiva, é mais fácil se
aproximar delas para assuntos de menor importância, tais como
problemas pessoais.
Os deuses menores por vezes exercem influência em áreas especiais,
por exemplo, em certos tipos de doença. Muitos deles têm origem humana: podem
ser heróis que morreram em batalha, ou
esposas que se ofereceram para ser queimadas na pira funerária do
marido. Alguns deuses são espíritos malignos que foram deixados para trás por homens maus. Ao cultivar esses
espíritos como deuses, é possível controlar e neutralizar seu mal.
Vida religiosa
O CULTO NO LAR E NO TEMPLO
A maioria dos hinduístas devotos têm em
casa uma sala
ou um canto especial onde põem estampas e esculturas representando um ou
mais deuses. Na frente das estampas e imagens costuma haver um pequeno altar
para a família celebrar o serviço divino. Em alguns casos isso ocorre diversas
vezes por dia; em outros, uma vez por semana, geralmente na sexta-feira.
O culto pode variar de casa para casa, mas com freqüência
compreende o sacrifício, a oração, a recitação de textos sagrados e a
meditação. Antes de iniciá-lo, é importante estar ritualmente limpo. Quase
sempre, um banho purificador é o primeiro passo. Prepara-se então o sacrifício,
de acordo com certas regras. Pode-se pôr no altar arroz, frutas ou flores.
Feito isso, o adorador se inclina
até o chão, com as mãos unidas, diante das imagens
divinas. É comum repetir o nome do deus e recitar textos sagrados; porém,
também é habitual a oração espontânea, pessoal. Se foram postos frutos
diante das imagens, estes serão comidos pela família ou
oferecidos às visitas que chegarem.
Não é obrigatório que o hinduísta vá ao templo, mas nos
templos há muitos serviços populares, e existe um templo em cada aldeia da
Índia. O dia no templo começa com música para despertar os deuses; depois disso, são lavadas as
imagens divinas. Durante o dia os deuses
são alimentados várias vezes. As pessoas que chegam ao templo rezam para o
deus, oferecem sacrifícios de flores e outros presentes, ou escutam a
interpretação das escrituras dada pelo sacerdote.
O COSTUME CORRETO
Segundo os hinduístas, o que a pessoa faz é mais
importante do que aquilo em que ela acredita. O costume
correto é mais importante do que a ortodoxia; o rito religioso é mais
importante do que o conteúdo religioso.
Embora a vida religiosa na Índia seja variada e
multifacetada, a maioria dos indianos poderia concordar quanto a um darma
comum, ou seja, uma lei ou ética comum. Isso não implica uma
igualdade entre as pessoas. Darma significa que todas as pessoas têm
responsabilidades para com sua família, sua casta e a comunidade
como um todo — e que essas responsabilidades, desde o nascimento, variam
de um indiano para outro. Tanto no
contexto religioso como no social, a homogeneidade que o hinduísmo apresenta
está na divisão do trabalho.
Assim como o pássaro e o peixe obedecem a leis diferentes, o membro de uma
casta segue regras diferentes das que regem outra casta. Dessa forma, o que é
bom para um não é necessariamente bom para o
outro. A boa moral consiste
em adotar os preceitos e deveres de sua própria casta.
OS QUATRO ESTÁGIOS DA VIDA
O Bhagavad Gita realça o valor das três vias de salvação e ao
mesmo tempo destaca que cada pessoa deve cumprir seus deveres para com a família e a comunidade.
Mas como conciliar as
duas coisas? Desde os tempos
antigos a vida do homem foi dividida em quatro estágios diferentes, que servem
à compreensão, à adoração
e aos deveres da casta. Essa divisão é relevante sobretudo para os brâmanes
do sexo masculino. Os homens da
classe dos guerreiros
e dos agricultores também podem segui-la, em maior ou menor grau.
Entretanto, "os quatro estágios da vida" representam um ideal,
que nem todos praticam.
Em seu oitavo ano de vida o menino brâmane realiza um rito de
passagem, no qual recebe o "fio sagrado", simbolizando que ele
"nasceu pela segunda vez". O menino agora se torna um discípulo e é
entregue a um mestre (guru), com quem estuda os textos sagrados (primeiro
estágio).
Quando o jovem completa seu primeiro estágio de vida como
discípulo, ele se torna um pai de família (segundo estágio). Casa-se, tem
filhos, cumpre os deveres de casta e as obrigações sacrificiais, e desfruta dos
prazeres da vida. Essa fase dura até que seus netos comecem a crescer.
O homem entra no estágio contemplativo da vida (terceiro
estágio). Sozinho, ou em companhia de sua esposa, ele se retira para um local tranqüilo. Antigamente, muitas
vezes ele ia para a floresta; hoje, em geral ele se dirige a um monastério ou
um centro religioso (ashram).
Alguns prosseguem até o quarto estágio da vida e se tornam
santos andarilhos. Nessa fase, o homem idoso fica perambulando, sem ter posses
nem moradia fixa. Sobrevive com o pouco que recebe de esmola e passa o tempo
inteiro em busca do autoconhecimento. Todos os deveres de casta e os laços externos
foram rompidos, e o divino faz dele a sua morada.
O LUGAR DAS MULHERES
A Índia também é um continente de grandes
contrastes no que se refere ao
papel da mulher e ao modo como ela é considerada, tanto espiritual como
socialmente. O Livro dos Vedas afirma que o homem e a mulher são iguais
"como as duas rodas de uma carroça". Entretanto, a aceitação prática
dessa idéia tem sido bem mais difícil. Um livro indiano de normas, com 2 mil
anos de idade, tem o seguinte a dizer sobre o papel da mulher: "Assim como
o estudo e o serviço doméstico na casa de seu mestre são para o menino, assim
deve ser para a menina viver com seu marido; ela deve ajudá-lo em seus
deveres e ser ensinada por ele. Cuidar do fogo sagrado, como seu esposo lhe ensina, é comparável ao serviço do
menino junto ao fogo sacrificial de seu mestre".
As mulheres na Índia são freqüentemente encaradas como
"propriedade" do marido. Uma mulher solteira em geral tem um
status baixo, e uma mulher casada sem filhos pode se encontrar
numa situação bem precária. Por outro lado, a Índia foi um dos primeiros
países a ter uma mulher como primeiro-ministro (Indira Gandhi). Muitas mulheres
desfrutam de notável influência pública, e em nenhum outro país do Terceiro
Mundo há tantas mulheres trabalhando fora de casa. Nesse contexto, ser membro
de uma casta pode constituir um fator decisivo na situação feminina. O culto
das numerosas deusas mulheres também pode contribuir para elevar a consciência
das mulheres.
Budismo
A VIDA DO BUDA
O fundador do budismo foi o filho de um rajá, Sidarta Gautama
(560-480 a.C.), que viveu no Nordeste da Índia. Sobre sua vida há vá- rias
histórias, mais ou menos lendárias, mas os pontos de maior destaque são os
seguintes:
O PRÍNCIPE SIDARTA
O príncipe Sidarta cresceu no seio da fortuna
e do luxo.
O rajá ouvira uma profecia de que seu filho ou se tornaria um poderoso
governante ou tomaria o caminho oposto e abandonaria o mundo por completo. Esta
última opção aconteceria se lhe fosse permitido testemunhai as carências e o
sofrimento do mundo. Para evitar que
isso ocorresse, o rajá tentou proteger o filho contra o mundo que ficava
além das muralhas do palácio, ao mesmo tempo que o cercava de delícias e diversões. Ainda jovem, Sidarta se
casou com sua prima e mantinha
também um harém de lindas dançarinas.
A VIRADA
Aos 29 anos Sidarta experimentou algo que haveria de ser o
ponto crucial de sua vida. Apesar
da proibição do pai, ele se
arriscou a sair
do palácio e
viu, pela primeira
vez, um velho,
um homem doente e um cadáver em decomposição.
Entretanto, depois dessas impressões
desanimadoras, avistou um
asceta com a expressão radiante de alegria. Percebeu então que uma
vida de riqueza e prazer é uma
existência vazia e
sem sentido. E
se perguntou: haverá? Sidarta também se sentiu tomado por
uma grande compaixão pela humanidade e um
chamado para livrá-la do sofrimento. Imerso em pensamentos, voltou ao palácio e
na mesma noite renunciou à sua agradável
vida de príncipe.
Sem se despedir,
abandonou esposa e filho, e partiu para uma vida de andarilho.
A ILUMINAÇÃO
As narrativas relatam que Sidarta, depois de uma vida de
abundância, passou para o extremo oposto: os exercícios ascéticos. Obrigou-se a
comer cada vez menos, até que finalmente, segundo a lenda, conseguia sobreviver
com um único grão de arroz por dia. Dessa
maneira ele esperava
dominar o sofrimento;
mas nem os exercícios de ascetismo nem a ioga lhe
deram o
que procurava. Assim, ele adotou
o "caminho do meio", buscando a salvação por meio
da meditação. E, aos
35 anos, após seis anos
de vida ascética, alcançou a iluminação (bodhi),
enquanto estava sentado em meditação sob uma figueira, à margem de um afluente
do rio Ganges. Sidarta agora se transformara num buda,
ou seja,
um "iluminado":
alcançou a percepção
de que todo
o sofrimento do
mundo é causado pelo
desejo. É apenas suprimindo o desejo
que podemos escapar de outras
encarnações.
Durante sete dias e
sete noites o Buda ficou sentado debaixo
de sua árvore da
iluminação. Ganhou dessa forma
a compreensão de uma realidade
que não é transitória, uma realidade absoluta acima do tempo e do espaço. No
budismo isso se chama nirvana. Ao dominar seu desejo de viver, que antes o
atava à existência, o Buda parou de produzir carma e, portanto, não estava mais
sujeito à lei do renascimento. Conseguira alcançar a salvação para si mesmo, e
o caminho estava aberto pata abandonar o mundo e entrar no nirvana
final. O
deus Brahma, porém,
instou com ele
para que difundisse
seus ensinamentos. E
então, mais uma vez, o Buda sentiu compaixão pelos outros seres humanos e por
todos os seres vivos. Ele "contemplou o mundo com um olhar de
Buda" e decidiu "abrir o
portão da eternidade" para
aqueles que o
quisessem ouvir. O Buda
decidira se tornar um
guia dos seres humanos.
BUDA E SEUS DISCÍPULOS
Buda seguiu então para Benares, que
já naquela época
era um centro religioso. Ali deu
sua primeira palestra — o famoso sermão
de Benares, que contém os elementos mais importantes de seus
ensinamentos. As "rodas da instrução" tinham sido postas em
movimento.
Diversos monges mendigos seguiam Buda, e durante mais de
quarenta anos ele e seus discípulos vagaram pela região nordeste da Índia.
Desde o início os seguidores de Buda se dividiram em dois
grupos, os leigos e os monges, cada um com seus próprios deveres.
Quando Buda tinha por volta de oitenta anos, de repente
adoeceu e decidiu se despedir dos discípulos. Antes de morrer, voltou-se para o
triste rebanho dos discípulos a seu redor e disse: "Talvez alguns
de vós estejam
pensando: 'As palavras
do mestre
pertencem ao passado,
não temos mais mestre'. Mas não é assim que deveis ver as coisas. O darma
(instrução) que vos
dei deve ser o
vosso mestre depois que eu partir".
OS ENSINAMENTOS DE BUDA
a lei do carma
O budismo cresceu dentro do hinduísmo como um caminho
individual para a salvação. As duas religiões
têm muitos conceitos em comum: as doutrinas do
renascimento, do carma e da salvação.
Para Buda, um ponto de partida óbvio é que o ser humano é
escravizado por uma série de renascimentos. Como todas as ações têm
conseqüências, o princípio propulsor por trás do ciclo nascimento-
morte-renascimento são os pensamentos do homem, suas palavras e seus atos
(carma).
Também nós podemos passar pela experiência de ver que certas
coisas que pensamos ou fizemos em determinada
época da vida nos
afetaram mais tarde.
Podemos sentir que
nosso passado nos
alcançou. É essa
mesma idéia que
percorre o hinduísmo
e o
budismo. A diferença é
que os orientais vêem essa relação como algo estritamente regulado
— e que
se estende de
uma vida a
outra. O tipo de vida em
que o indivíduo vai renascer depende de suas
ações em vidas anteriores. O
homem colhe aquilo que plantou. Não existe "destino cego" nem
"divina providência". O resultado flui automaticamente das
ações. Portanto, é
tão impossível fugir de seu carma quanto escapar de sua própria sombra.
Enquanto o ser humano tiver um carma, ele está fadado a
renascer.
Embora se possa dizer que a lei do carma
possui um certo grau de justiça, ela é vista, no
hinduísmo e no budismo, como algo um consiste em ser libertado do círculo vicioso
dos renascimentos. A eterna série de reencarnações costuma ser comparada a um
rio que separa o homem do nirvana. O
objetivo do budismo, comum
com os outros caminhos indianos para a salvação, é
encontrar a "passagem" por
onde se pode atravessar para a outra margem.
VISÃO DA HUMANIDADE
Num aspecto
importante, porém, os
ensinamentos de Buda são diferentes do consenso indiano em geral. O
hinduísmo acredita que o homem tem uma alma individual eterna
(atmã), a qual sobrevive de uma existência para outra. Assim como uma pessoa
descarta suas roupas velhas e gastas, a alma vai se revestindo de outros
corpos, sempre renovados. É a alma do homem — seu eu mais íntimo — que
está acorrentada à
reencarnação. A alma
do homem também é considerada
idêntica, total ou
parcialmente, ao espírito universal
(Brahman).
Buda rompe radicalmente com essa doutrina ao negar
que o ser humano tenha alma e ao
rejeitar a existência de um espírito universal. De acordo com o budismo, a alma
é tão fugaz como tudo o mais neste mundo. O fato de um homem achar que é um
"eu", ou uma alma, baseia-se
na ignorância, e essa ignorância tem conseqüências graves, uma vez que promove
o desejo, e é o
desejo que cria o carma do
indivíduo.
O budismo vê a vida humana como uma série ininterrupta de
processos mentais e físicos que alteram o homem de momento a momento. O bebê
não é a mesma pessoa que o adulto, e o adulto não é a mesma pessoa que era ontem. E como as
imagens numa tela de cinema: movem-se muito depressa e não conseguimos perceber
que o filme é "artificial", que não é algo "vivo". Na
realidade, o filme é a soma das imagens individuais — ou de uma série de
instantes.
"De nada mais
posso dizer: 'Isto é meu'", ensinava Buda, "e de nada posso dizer: 'Isto sou eu.'" Ambas
as coisas são ilusões. Não há um núcleo
imutável da personalidade, não existe um "eu", um ego. Tudo é
constituído de fatores existenciais impessoais que formam combinações fadadas a
decair. Tudo é transitório.
AS QUATRO NOBRES VERDADES SOBRE O SOFRIMENTO
Depois de experimentar sua iluminação debaixo da figueira,
Buda fez o sermão de Benares, em que apresentou as quatro nobres verdades sobre
o sofrimento. Elas demonstram que tudo é sofrimento; que a causa do sofrimento
é o desejo; que o sofrimento cessa quando o desejo cessa; e que isso se
consegue seguindo o caminho
das oito vias. Em outras palavras: Buda faz
primeiro um diagnóstico, mostrando que a condição do homem
é de doença (primeira nobre verdade). Ele então indica a causa da doença
(segunda nobre verdade). Afirma, no
entanto, que a doença é curável (terceira nobre verdade), e por fim dá uma
descrição detalhada de como a doença
deve ser tratada, receitando uma cura de oito pontos (quarta nobre
verdade). Assim, Buda assume o papel de médico; é por isso que os textos
budistas o chamam de "o grande médico".
***
A primeira nobre verdade determina que tudo no mundo é
sofrimento. "Nascer é sofrer, envelhecer é sofrer, morrer é sofrer, estar
unido com aquilo de que não gostamos é sofrer, separarmo-nos daquilo que amamos
é sofrer, não conseguir o que queremos é sofrer." Em termos budistas
o sofrimento
implica algo mais do
que mero desconforto físico e psicológico. Pode-se dizer que a existência como
um todo é manchada pelo sofrimento, pois tudo é passageiro. A pessoa que não
consegue perceber que o mundo, do ponto de vista do ser humano, é inadequado, é
uma pessoa cega. Mas isso não significa que o budismo negue toda felicidade material
e mental. Ele reconhece que existe alegria tanto na família
como no mos- teiro. Todavia, tudo aquilo que amamos e a que nos apegamos
simplesmente não vai durar.
****
Na segunda nobre verdade, Buda afirma que o sofrimento é causado pelo desejo do ser humano.
O desejo implica
sobretudo desejar com
os sentidos, a
sede de prazeres físicos.
Como essa
ânsia nunca pode
ser plenamente saciada,
ela sempre irá acarretar um
sentimento de desprazer. Até mesmo o desejo de sobrevivência do ser humano
contribui para manter o sofrimento. Enquanto ele se apegar à vida — e continuar
acreditando que tem uma alma —, irá perceber o mundo como sofrimento. O
budismo também rejeita
o extremo oposto.
O desejo de anulação —
ou desejo de morrer —
igualmente amarra
o ser humano à
existência. Em primeiro lugar, um tal desejo pressupõe que o ser humano tem uma
alma que pode ser eliminada; em segundo, não leva em consideração o carma, que
impõe o renascimento. Tirar a própria vida não resolve nada no budismo. Isso não irá libertar a pessoa do
eterno ciclo.
***
A terceira nobre verdade é que o sofrimento pode ser levado
ao fim. Isso acontece quando o desejo cessa. E quando o
desejo cessa, começa o nirvana. Um pré-requisito necessário para
suprimir o desejo é que a ignorância do homem deve ser enfrentada, pois ela é a causadora do desejo. Assim, só o
homem que não
enxerga sente desejo. A
ignorância leva ao desejo, o desejo leva à atividade, a atividade traz consigo o renascimento, e o
renascimento origina mais ignorância. Aqui se descreve um círculo vicioso, e
para que este círculo vicioso — ou
"corrente da causalidade" — seja rompido, o homem deve atacar a raiz
do problema: sua própria ignorância.
***
A quarta nobre
verdade afirma que o homem
pode ser libertado do sofrimento — e do renascimento — seguindo o
caminho das oito vias.
***
O CAMINHO DAS OITO VIAS
Com base em sua própria experiência, Buda acreditava que o
homem deve evitar os extremos da vida. Não se deve viver nem no prazer
extravagante, nem na autonegação exagerada. Ambos os extremos acorrentam o homem ao mundo e, assim, à "roda da vida". O caminho para dar fim ao sofrimento é
o "caminho do meio", e
Buda o descreveu em oito partes: (1) perfeita compreensão; (2) perfeita
aspiração; (3) perfeita fala; (4) perfeita conduta; (5) perfeito meio de
subsistência; (6) perfeito esforço; ( 7) perfeita atenção, e (8) perfeita
contemplação.
Perfeita compreensão e perfeita aspiração. É a ignorância do homem que põe a roda da vida em movimento.
Portanto, o homem deve construir sua compreensão sobre como o mundo funciona.
Isso significa, entre outras coisas, compreender as verdades acerca do
sofrimento e o ensinamento de Buda de que o homem não tem alma. Em seguida, o
homem deve se dedicar a lutar
contra o desejo, que é a raiz do sofrimento. Deve também evitar o
ódio e a luxúria, ambos causados pela crença equivocada num "eu"
distinto e separado do ambiente em torno. Por último, o homem deve olhar para
o Buda como um ideal.
Perfeita fala, perfeita conduta, perfeito meio de
subsistência. Esses pontos estabelecem a ética do budismo, seu código
moral. Perfeita fala significa que o homem deve se abster de contar
mentiras, fazer intrigas e ter conversas vazias, e que deve falar com seus
semelhantes de um modo verdadeiro, amigável e carinhoso. Para o budista, ficar
em silêncio também está incluído na
fala perfeita. Perfeita conduta significa seguir os cinco
mandamentos que se aplicam a todos os budistas: não matar nenhum ser vivo, não
roubar, não ser sexualmente promíscuo, não mentir e não tomar estimulantes.
Mais tarde, foram acrescentados outros mandamentos enunciados
na forma positiva. Diversos textos budistas ressaltam a utilidade de dar
presentes e realizar serviços para os
outros. Estudar a doutrina e disseminá-la também faz parte da perfeita conduta.
Um aspecto do perfeito meio de subsistência é que se deve escolher um trabalho
que não contrarie os cinco mandamentos. Por exemplo, um açougueiro, um
comerciante de vinhos, um fabricante de armas ou um soldado profissional teriam
de encontrar uma profissão alternativa se quisessem permanecer budistas.
Perfeito esforço, perfeita atenção e perfeita contemplação. Esses três pontos
finais se relacionam com a maneira como o ser humano pode melhorar a si mesmo e
purificar sua mente. Perfeito esforço significa que o
budista não deve deixar que pensamentos ou estados de espírito destrutivos intervenham; e se já
estão presentes, deve tentar expulsá-los antes que tenham efeitos
palpáveis. Perfeita atenção é um
precursor do último item. A autocontemplação é o
meio pelo qual o budista alcança pleno controle sobre o corpo e a mente. Uma
vez conseguido isso, ele está pronto para iniciar a meditação propriamente
dita.
O budismo
tem uma doutrina
abrangente sobre os
vários níveis e estágios
da meditação. Durante
a meditação, todos
os músculos se relaxam, possivelmente
também pelo fato
de o praticante
sentar numa posição
especial de ioga.
Toda a concentração deve
focalizar uma só
coisa. Esta pode ser um
objeto,
uma palavra ou a
própria respiração. A psicologia budista hoje ensina que a mente humana se compõe de
duas partes: uma superficial, que
é excitada pelos sentidos, e as profundezas da mente, que
são tranqüilas e imóveis. O objetivo da meditação é acalmar a superfície
perturbada. Quando isso
acontece, o budista
perde todo sentido do tempo e do espaço, e todas as
ilusões sobre "eu" e "meu" desaparecem.
É nesse
ponto que ele
pode ter esperança
de alcançar a
plena iluminação (bodhi), na
qual atinge uma
compreensão perfeita das "quatro nobres
verdades", deixando de
enganar a si
mesmo sobre a existência e se
libertando da lei do carma.
O budista agora
se tornou um arhat (isto é,
"venerável"), o que
significa que não
irá mais renascer. E quando morrer, atingirá o eterno
nirvana.
Nirvana
Qual foi a verdade que Buda alcançou debaixo de sua figueira?
Suas idéias fundamentais eram profundamente pessimistas, como já vimos. Tudo o
que existe no mundo é (a) sem autonomia, (b) transitório, e, em conseqüência,
(c) pleno de sofrimento. Assim, ele não
via esperança enquanto o homem estivesse preso nesse ciclo. Contudo, existe
algo eterno, algo fora do sofrimento. O budista chama a isso de nirvana. Essa palavra significa, na
verdade, "apagar", uma referência ao fato de que o desejo "se
extingue" quando se atinge o nirvana. A imagem representa o desejo como
uma chama que se apaga quando o
combustível termina — o combustível é a luxúria humana, o ódio e a ilusão.
As descrições
do nirvana em
textos budistas costumam ser expressas em termos negativos.
Uma vez que o nirvana é o oposto direto do ciclo do renascimento, uma vez que
ele não pode ser comparado a nada em nossa vida diária, só é possível dizer o
que o
nirvana não
é. Poderíamos talvez
descrever o nirvana
como uma quinta dimensão,
divorciada de nossa existência quadridimensional. Poucos textos budistas,
porém, descrevem o nirvana em termos positivos.
Uma condição para alcançar o nirvana é que o
budista encontre a iluminação (bodhi), exatamente como ocorreu com o
Buda debaixo de sua
figueira. Logo, as
boas obras por
si sós não
bastam para o nirvana. Entretanto, um estilo de vida irreprochável
pode levar a bons renascimentos, que mais tarde poderão possibilitar o
encontro da iluminação.
Buda, segundo se
conta, nasceu 547 vezes antes de finalmente chegar lá.
Um estado em que todo o carma já foi esgotado e a lei do
renascimento foi rompida — é isso que o nirvana descreve. Assim, o nirvana é
uma condição que se pode experimentar aqui e agora. Pode ser tão intensa que o
budista sente que ela está queimando o mundo inteiro. E quando ele enfim volta
para o mundo, tudo o que encontrasão cinzas frias.
O nirvana final, que a pessoa atinge quando morre, é
irreversível. Por vezes ele é designado no budismo por um termo especial,
parinir-vana, isto é, "extinção absoluta", ou "extinção
última".
Ética
Quando o Buda alcançou a iluminação depois de sua meditação,
o deus Brahma foi até ele e lhe pediu que levasse seus ensinamentos para outras
pessoas. E mais uma vez Buda sentiu compaixão pelos seres humanos e por todos os
outros seres vivos. "Contemplou o mundo com olhar de Buda" e decidiu
"abrir o portão da eternidade"
para os que quisessem ouvir. Buda decidiu se tornar guia do ser humano.
Essa atitude serve de exemplo para outros budistas,
pois a vida de Buda é um ideal que os exorta a se
comportar eticamente. A compaixão e o amor são centrais na ética budista. Não
só as
ações, mas também os sentimentos
e afetos são importantes. A caridade que fazemos não apenas afeta os outros,
mas contribui para enobrecer nosso
próprio caráter.
Os cinco mandamentos
Para a vida diária o budismo tem cinco regras de conduta:
1. Não fazer mal
a nenhuma criatura viva.
2. Não tomar
aquilo que não lhe foi dado (não roubar).
3. Não se
comportar de modo irresponsável nos prazeres
sensuais.
4. Não falar
falsidades.
5. Não se
entorpecer com álcool ou drogas.
Essas regras de conduta costumam ser chamadas de cinco
mandamentos, porém o budismo não reconhece nenhum ser
superior capaz de dar ordens
à humanidade sobre como viver. Assim, as regras
não dizem "farás
isso" ou "não
farás aquilo". Elas
são formuladas da seguinte
maneira: "Tentarei ensinar
a mim mesmo
a não fazer mal a nenhuma criatura viva".
1. NÃO FAZER MAL
A NENHUMA CRIATURA VIVA.
Esta é considerada a mais importante das cinco virtudes.
Nem um outro ser humano nem os animais devem ser
prejudicados.
O ser humano é o mais importante, já que é superior aos
animais. Os budistas consideram o pacifismo um ideal, embora nem todos os
budistas sejam pacifistas. Também os países budistas já travaram guerras,
e muitas pessoas acreditam que essa regra pode ser quebrada quando se trata
de autodefesa. Entretanto, um texto budista afirma que o soldado profissional
que morrer em batalha renascerá no inferno ou então como animal.
Para o budista, a vida começa na concepção; desse modo, o
aborto infringe essa primeira regra. Só que os métodos anticoncepcionais
normalmente são permitidos.
O suicídio também é uma violação da regra, mas não se a pes-
soa sacrificou sua vida por outra vida. Durante a Guerra do Vietnã, vários
monges budistas atearam fogo às próprias vestes para despertar a consciência internacional.
Não há um vegetarianismo coerente no budismo, ainda que
muitos monges excluam a carne de sua dieta. Supõe-se que Buda também concordou
que se comesse carne, desde que a pessoa estivesse certa de que o animal não fora morto especialmente para ela. Matar uma mosca com um tapa é pior. Como
vemos, o motivo e a intenção são relevantes.
2. NÃO TOMAR
AQUILO QUE NÃO LHE FOI DADO.
Isso não se refere simplesmente ao roubo, mas também à
trapaça de todos os tipos. Podemos considerar que é uma regra acerca da
correção nos negócios e da ética no trabalho.
3. NÃO SE
COMPORTAR DE MODO IRRESPONSÁVEL NOS PRAZERES SENSUAIS.
Essa regra se refere às atividades sexuais que
podem prejudicar os outros: estupro,
incesto e adultério. A
atitude para com o adultério varia segundo os costumes locais. O budismo
não abrange apenas sociedades
monogâmicas, mas também
culturas cuja tradição engloba a
poligamia e a poliandria. Já o homossexualismo é sempre considerado uma quebra
dessa regra.
Essas três primeiras regras se relacionam às atividades humanas e se incluem no item "perfeita
conduta" do caminho das oito vias. O item "perfeita fala"
abrange a próxima regra.
4. NÃO FALAR
FALSIDADES.
A verdade é extremamente importante no budismo, mas essa
regra não trata apenas da mentira. Ela também alerta contra as respostas
maldosas, a fofoca, a ira e as conversas
fúteis. O homem deve falar com seus semelhantes de modo
verdadeiro, amigável e devotado. Até mesmo ficar em silêncio faz parte da
perfeita fala.
5. NÃO SE
ENTORPECER COM ÁLCOOL OU DROGAS.
Ficar entorpecido ou embriagado implica não poder se concen-
trar nas regras que devem ser seguidas. O budismo não é tão rigoroso contra o
álcool quanto o islã.
Outras regras mais
estritas
Em certos períodos, alguns leigos se submetem a uma
disciplina mais estrita. Alguns vão mais longe, seguindo as mesmas
regras que se aplicam aos monges e monjas noviços. Nesse caso, as cinco regras
passam a incluir, por exemplo, a abstinência sexual (celibato). Além disso, há
outras cinco regras:
* Não comer em
horas proibidas (por exemplo, após o meio-dia).
* Afastar-se de
todos os divertimentos mundanos.
* Abdicar de
todos os luxos (como jóias, perfumes etc).
* Não dormir
numa cama macia nem larga.
* Não aceitar
nem possuir ouro, prata ou dinheiro.
O PERFEITO MEIO DE SUBSISTÊNCIA
O quinto estágio do caminho das oito vias é o perfeito meio
de subsistência. Significa, entre outras coisas, que se deve escolher um meio de vida que não obrigue à infração
das cinco regras de conduta. Embora um budista possa comer carne, não deve ser
açougueiro. Embora possa tomar um copo de vinho, não deve ser comerciante de
vinhos. Embora sirva ao exército de seu país, não deve ser um negociante de
armas.
A melhor de todas as vidas é a do monge, pois ele pode se
devotar inteiramente ao caminho das oito vias.
O VALOR DA DOAÇÃO
As cinco regras de conduta estão expressas
na forma negativa, mas quando são seguidas, seus
aspectos positivos aparecem. O oposto de fazer mal é demonstrar
amor e compaixão. O oposto de roubar é dar. Uma das coisas mais
positivas que um
budista pode fazer é dar presentes. Isso significa sobretudo fazer
doações para as sociedades monásticas, que dependem totalmente da caridade dos
leigos. Tais presentes elevam o carma
da pessoa. Mas dar com a intenção de obter algo em troca não
basta. Quanto mais puro o motivo para dar, melhor carma trará.
Buda exortava os que desejavam lhe querer
bem a querer
bem aos doentes. Muitos mosteiros se empenham em trabalhos humanitários.
Os budistas se preocupam especialmente em
cuidar dos moribundos. A morte é
um momento decisivo em relação ao nascimento; portanto, o objetivo é ter uma
boa morte.
A COABITAÇÃO E O PAPEL DAS MULHERES
O casamento não é sagrado para os budistas, mas apenas um
tipo de acordo entre as partes. Por esse motivo os monges
não celebram casamentos. No Japão, quando os budistas se casam, procuram
um sacerdote xintoísta. O divórcio, embora ainda pouco comum na maioria das
culturas budistas, também
não é uma
questão religiosa.
O marido deve mostrar respeito para com sua mulher, e esta,
por sua vez, deve cumprir seus deveres domésticos. Apesar de várias mulheres em
países budistas desfrutarem de uma posição elevada, normalmente se considera
menos vantajoso renascer como mulher do que como homem.
A vida religiosa
MONGES, MONJAS E LEIGOS
Buda criou uma nova ordem, a sociedade monástica, independente
do sistema de
castas. Para seguir
à risca os ensinamentos do
Buda, era necessário
deixar para trás
todos os cuidados e as preocupações relativas à família e à vida social. Até hoje
a ordem monástica
constitui a espinha
dorsal da vida
religiosa na maioria das terras
budistas.
Dessa maneira, ao considerar a vida religiosa budista, é
importante distinguir entre os monges e as monjas, por um lado, e, por outro,
os leigos. Monges e monjas têm regras de conduta muito mais estritas do que os leigos. Em primeiro
lugar, há as dez regras, que também se aplicam aos noviços; além disso, há
várias centenas de outros mandamentos e in-junções que definem tais regras com
mais precisão.
Como já vimos, os monges e as monjas levam uma vida de
simplicidade e pobreza.
Desde os dias
do Buda, costumam
obter o pouco de que necessitam
para sobreviver pedindo esmolas, o que não é tido, de modo nenhum, como degradante. Pelo contrário: para
o leigo,
é uma honra dar esmolas aos monges. Em alguns lugares os monges
esmolam nas ruas, de porta em porta. Monges vestidos com seu hábito cor de
açafrão pedindo comida (em geral arroz) pelas ruas é uma cena comum nos países
budistas do Sudeste asiático. Em outras regiões, a tarefa de esmolar adquire
uma forma mais organizada; por exemplo, cada casa de família é responsável
pela comida do mosteiro em certos dias da semana.
Um mosteiro budista não fica isolado da vida da cidade ou da
aldeia. Não são apenas os leigos que têm deveres para com os monges; estes
também têm suas responsabilidades para com os leigos. Em
determinados dias, instruem os leigos
sobre os ensinamentos
do Buda. As pessoas comuns podem ainda passar temporadas em retiro num
mosteiro, a fim de meditar ou receber instrução especial. Isso costuma acontecer
na época das monções. Em países devotamente budistas, como Birmânia e
Tailândia, é comum todos os meninos permanecerem algum tempo num mosteiro,
aprendendo budismo.
Assim, podemos dizer que os dois grupos — monges e leigos —
são interdependentes. Mesmo que um budista não venha a se tornar um monge em
sua vida atual, se ele ajudar a sustentar um mosteiro, pode aspirar a ser um
monge na próxima encarnação.
O CULTO
Em tempos antigos o culto religioso consistia inteiramente em
venerar as relíquias do Buda ou de outros homens santos. Originalmente as
relíquias eram guardadas
em pequenos montes de terra (stupas). Aos poucos estas se transformaram
naquelas construções características, em
forma de sino ou de domo, que hoje chamamos de pagodes.
A partir do século I a.C., tornou-se comum produzir imagens e
estátuas do Buda. Elas podem ser vistas por toda
parte nos países budistas, tanto nos templos como
nos lares. E seja onde for, o budista devoto fará sua
confissão — a fórmula tripla do refúgio, também chamada
"As Três Jóias":
* Procuro
refúgio no Buda.
* Procuro
refúgio nos ensinamentos.
* Procuro
refúgio na comunidade monástica.
Apesar de os budistas venerarem as imagens do Buda queimando
incenso e pondo
flores e outras
oferendas diante delas, para o
budista ortodoxo isso não é propriamente
uma adoração formal. Buda foi apenas o guia da humanidade, foi o mestre
"glorificado", e como já entrou no nirvana, não pode ver nem recompensar as ações de um budista. Por
isso, suas imagens não devem ser adoradas; estão ali para lembrar os
ensinamentos do Buda e auxiliar o budista em sua meditação e em sua vida
religiosa.
FERIADOS RELIGIOSOS
A festa religiosa mais importante para os budistas é o
aniversário do nascimento do Buda, comemorado em abril ou
maio, na lua cheia. Também se
acredita que foi esse o dia da iluminação do Buda e de sua entrada no nirvana.
Além dessa data, cada país tem várias festas religiosas, muitas vezes
celebradas com peregrinações em massa aos mosteiros ou pagodes mais conhecidos.
Para a maioria dos leigos, as festas e outras manifestações devocionais
externas desempenham um papel bem mais relevante do que a meditação praticada
pelos monges.
DEUSES
Buda não
negou a existência
dos deuses. Como
já vimos, foi um
deus que o
exortou a proclamar
sua mensagem para
a humanidade. Ele não
era um ateu
no sentido ocidental.
Todavia,
acreditava que a
existência dos deuses era transitória, assim como a existência humana.
Embora eles vivam
mais tempo que
os seres humanos, em
última análise também
estão atrelados ao
ciclo do renascimento.
Ainda não alcançaram
a "outra margem"
e, portanto, não podem redimir o
homem de tal ciclo. Por isso,
o papel dos deuses é insignificante na
literatura monástica budista.
Não obstante, nos países budistas há uma adoração
generalizada de demônios, espíritos e várias outras divindades. Diferentemente
do próprio Buda, todos estes são seres vivos e ativos, os quais — se cultuados de modo correto —
podem trazer vantagens mundanas. Os templos budistas muitas vezes contêm
estátuas de deuses como Vishnu, Indra e Ganesha, mas sempre dispostas de maneira subserviente a Buda.
O budismo tem espaço para um amplo espectro de cultos e
sentimentos religiosos. Essa é uma importante razão pela qual o budismo ganhou
tão ampla aceitação em toda a Ásia.
A difusão do budismo
Não muito depois da morte do Buda ocorreu uma divergência
entre seus discípulos acerca da maneira como os ensinamentos dele deviam ser
interpretados. Um século mais tarde (por volta
de 380 a.C.) foi realizado um concilio. Como
diversos monges expressaram o desejo de moderar a disciplina monástica, o encontro
terminou numa divisão entre uma
facção conservadora e outra mais liberal.
Na época moderna é costume distinguir entre duas tendências principais: Theravada
("a escola dos antigos"), predominante no Sul da Ásia (Birmânia,
Tailândia, Sri Lanka, Laos e Camboja), e Mahayana ("o grande
veículo"), predominante no Norte da Ásia (China, Japão, Mongólia, Tibet,
Coréia e Vietnã).
THERAVADA — o CAMINHO DA AUTO-REDENÇÃO
Como sugere o nome Theravada ("a escola dos
antigos"), essa escola acredita representar o budismo em sua forma
original. De acordo com os ensinamentos
do Buda, enfatiza a salvação individual por meio da meditação. Como não existe
nenhum deus para redimir
o homem do ciclo dos renascimentos, ela ressalta que o
indivíduo deve salvar a si mesmo. Assim, podemos dizer que o budismo Theravada
é uma religião de auto-redenção.
Aqui, o Buda é visto como mestre e guia dos seres
humanos. Ele não é adorado como um
deus, nem pode salvar as pessoas, mas indicou o caminho para a salvação, que
pode ser seguido pelo indivíduo.
Na prática, só os monges podem imitar o exemplo do Buda até
atingir o nirvana, e mesmo entre eles, muito poucos o alcançam nesta vida. Um
monge que pertença a esse pequeno grupo é chamado arhat (venerável). O arhat,
como o Buda, já extinguiu seus desejos e venceu o mundo. É um exemplo
resplandecente para os leigos e o ideal que todos os budistas perseguem, pois
mesmo que um budista
não consiga deixar este mundo
definitivamente em sua vida atual, ele
pode conseguir um bom carma para si mesmo e talvez se tornar um monge numa
existência futura.
Podemos dizer que a idéia mais importante do budismo
Theravada é que o próprio indivíduo deve
assumir responsabilidade por seu
desenvolvimento ético e religioso. Não há atalho para a salvação nem para a perfeição ética. Cada
pessoa deve começar por si mesma. Isso se aplica aos leigos, bem como aos
monges.
MAHAYANA — o CAMINHO DA AJUDA MÚTUA
Até agora, baseamos na
escola Theravada a
representação da vida e dos ensinamentos do Buda, assim como a descrição
da vida religiosa budista. A seguir vamos nos afastar dessa abordagem do
"budismo comum" e nos concentrar nas características do budismo
Mahayana.
Mahayana significa "o grande veículo", ou "a
grande nave", e seu nome reflete a crença, predominante no budismo do
Norte da Ásia, de que é possível levar
todas as pessoas à redenção. O budismo Theravada é chamado de Hinayana, ou
seja, "o pequeno veículo", já que leva apenas alguns (os monges) a
salvação.
Também na visão que têm de Buda, existem grandes diferenças
entre o budismo Mahayana e o budismo Theravada. Enquanto o Theravada considera
o Buda apenas um ideal e um raio de
salvação, o Mahayana acredita no
Buda como o salvador, isso é importante porque implica que os monges não são os
únicos que podem
ser salvos. Os leigos podem
igualmente se devotar ao Buda e, por
sua graça, alcançar a redenção.
OS BODHISATTVAS
O objetivo do budismo inicial era que o indivíduo atingisse a
salvação por seus próprios esforços. O ideal do indivíduo consistia em se tornar um arhat, ou seja, alguém que
deixou o mundo para trás e entrou no nirvana. Esse objetivo, porém, era muito
estreito para o Mahayana. Interessar-se apenas pela própria salvação é
considerado egoísmo. O objetivo deve ser a
redenção de todos. Em conseqüência,
o ideal religioso do budismo Mahayana é o bodhisattva, o qual, depois de
alcançar a iluminação (bodhi), abdica do nirvana a fim de ajudar outras pessoas
a alcançar a salvação. Aqui muitas vezes
se ressalta que o próprio Buda abdicou do nirvana
imediato por causa da compaixão por seus semelhantes.
Um bodhisattva ("existência iluminada") pode ser
qualquer pessoa que resista a se tornar um Buda. No entanto, esse termo se aplica sobretudo a uma longa lista de
etéreas figuras de salvador, às quais os seres humanos podem recorrer em busca
de ajuda. A única coisa que as distingue de um Buda é que elas não entram no
nirvana até que todas as criaturas vivas
tenham sido redimidas do renascimento.
Características típicas de um bodhisattva são a
compreensão e a compaixão. Hoje
em dia é a compaixão do bodhisattva que é mais realçada. A bondade para com as
outras criaturas vivas não é considerada simplesmente um ideal, mas o caminho
para a
iluminação e a redenção.
Com sua doutrina do bodhisattva, o budismo Mahayana seafastou
muito dos ensinamentos do budismo
Theravada. Assim como o cristão
"põe sua vida nas mãos de Deus",
o muçulmano "se
submete" a Alá e os vaishnavitas "se dedicam" a Vishnu —
o budista mahayana pode compartilhar do amor salvador de um divino bodhisattva.
A DOUTRINA DO CARMA E A ILUSÃO DO EU
Como já vimos, o budismo Mahayana discorda do Theravada na
doutrina de que o homem deve salvar a si mesmo. Isso também implica um rompimento
com a doutrina estrita do carma. A idéia de que uma pessoa pode ser salva de
seu carma pelos méritos alheios é impensável no budismo do Sul. Porém, o
Mahayana tem um conceito próprio de carma: uma vez que há uma relação de
dependência recíproca entre todos os seres vivos, não é o carma do indivíduo
que é importante.
Nesse ponto, muitos budistas mahayana se
referem ao fato de que a experiência do eu, de ser algo
separado do mundo ao redor, é simplesmente resultado da cegueira do homem. E
apenas os que fizeram pouco progresso rumo à iluminação é que sofrem dessa cegueira. O bodhisattva, por outro lado,
já superou a ilusão
do eu e não distingue mais entre si mesmo e os outros.
Assim, um bodhisattva pode transferir algo de seu bom
carma para os que procuram a ajuda dele na luta para atingir o nirvana.
Diversidade religiosa
O hinduísmo e o budismo sempre demonstraram um nível de
abertura e tolerância em questões religiosas bem diferente daquele a que
estamos acostumados no Ocidente. A diversidade religiosa não é considerada uma fraqueza. Muitos budistas
diriam até que o oposto é que é verdade. A força do budismo se revela
nos numerosos frutos que ele traz.
O objetivo de todos os budistas é se redimir do ciclo dos renascimentos.
A questão consiste em saber que métodos
ou recursos devem ser procurados
para se atingir esse objetivo. As pessoas são muito diferentes. Os povos
asiáticos, em particular, são provenientes de formações culturais bastante
variadas. Assim, os métodos utilizados precisam refletir esse fato. Em
conseqüência, costuma-se destacar que a experiência é o princípio que deve
guiar a escolha dos métodos.
Entre os muitos movimentos dentro do Mahayana, dois atraíram
mais interesse nas últimas décadas. São
a tendência tibetana Vajra-yana
(o veículo de diamante) e o zen-budismo japonês. Esses movimentos se destacam
do budismo Mahayana de várias maneiras.
BUDISMO TIBETANO
No Tibet, o budismo se incorporou à religião
local, denominada Bon. Esta se caracterizava pela crença em deuses e
espíritos, que eram cultuados com sacrifícios sangrentos,
encenações de
mistérios e danças rituais. Vários desses deuses originais continuam sendo
cultuados como guardiães dos ensinamentos budistas. Contudo, sob a
superfície prevalece a
doutrina budista. Os budistas tibetanos acreditam que eles represen- tam
a doutrina original, não adulterada.
Algumas características externas mais aparentes do budismo
tibetano são as rodas de oração e as bandeiras de oração — objetos que contêm diversas orações e fórmulas
escritas. Quando a roda de oração gira — impulsionada ou pela mão de alguém ou
pelo vento ou pela correnteza de uma cachoeira — ou a bandeira tremula ao
vento, ela põe em movimento "a roda
do ensinamento".
O mantra (fórmula mágica ou enunciação sagrada) mais
comum no budismo tibetano é Om Manipadme Hum, que significa "O tu,
que tens a jóia no teu lótus", ou
"Seja louvada a jóia no
lótus". Essa fórmula é encontrada por toda parte no Tibet: nas
rodas de oração, nas paredes, nas rochas e, naturalmente, nos lábios daspessoas.
Para aumentar sua eficiência, usa-se um rosário
de 108 contas (108 é um número sagrado).
O LAMAÍSMO
No Tibet
o budismo muitas
vezes é chamado
lamaísmo, do termo lama
("professor" ou "mestre"), nome dado aos líderes
espirituais, em geral monges.
Em nenhum outro país do mundo o budismo permeia tão
completamente o tecido da sociedade como no Tibet. Grandes parcelas da
população se integraram às ordens religiosas de monges e monjas, e os mosteiros
sempre tiveram íntimo contato com os leigos. Vários desses mosteiros já abrigaram mais de mil
monges e são considerados as maiores
instituições monásticas que já existiram.
A originalidade do lamaísmo reside em sua estrutura social.
Desde o século XVII o Tibet é governado por um lama principal, ou dalai-lama
(oceano de sabedoria), que tem sua sede
na capital, Lhassa. O dalai-lama
é o líder religioso e político do país. Acredita-se que ele seja a reencarnação
de um famoso bodhisattva.
Ao morrer um dalai-lama, os sacerdotes buscam uma criança que
tenha sua marca. Quando, depois de vários
testes, é encontrada a criança
certa, ela é consagrada como o novo dalai-lama.
BUDISMO TIBETANO CONTEMPORÂNEO
Em virtude de sua cultura muito distinta e de sua localização
inacessível entre as montanhas mais altas do mundo, o Tibet por um longo tempo
foi considerado uma espécie de "terra de contos de fada". Porém, em
1959 o conto de fada teve um fim súbito: a China assumiu o controle total do país e o dalai-lama
foi obrigado a fugir para a
Índia, onde obteve asilo político. Desde essa época, dezenas de milhares de tibetanos se refugiaram na Índia
e no Nepal, lugares em que o budismo tibetano continua vivo.
Mosteiros budistas seguindo os padrões tibetanos surgiram
na maioria dos países da Europa Ocidental e nas Américas.
Zen-budismo
A maior ambição de todos os budistas é atingir algum dia a
iluminação (bodhi), como aconteceu com o Buda debaixo de sua figueira em Bodh
Gaya, há 2500 anos. Dentro do budismo, porém, existem consideráveis diferenças
de opinião sobre o que essa iluminação implica e como se chega a ela. Dentro da
tradição do budismo Mahayana, surgiu na China uma escola especial de
meditação que, mais do que qualquer outro movimento,
realçava a iluminação como o verdadeiro núcleo do budismo. Esse movimento aos
poucos se espalhou para a Coréia e o Japão, e ficou conhecido no Ocidente por
seu nome japonês, Zen, que significa "meditação". Como hoje em dia é
mais fácil estudar o zen no Japão do que na China, vamos nos concentrar no
zen-budismo japonês. No Japão essa vertente budista conta hoje com cerca de 20
mil templos e 5 milhões de adeptos, entre monges e leigos.
"VISÃO DIRETA"
O zen-budismo se baseia na iluminação do Buda. Os
ensinamentos do Buda, tal como foram passados para os textos budistas, não recebem
tanta prioridade. Isso reflete a profunda desconfiança do zen quanto à palavra
e sua capacidade de transmitir conhecimento. Não obstante, aquilo que não
pode ser
transmitido pela palavra pode ser
transmitido pela "visão direta". Diz-se que o Buda
trouxe a iluminação para seu discípulo mais promissor simplesmente segurando
uma flor diante dele, sem nada dizer. Assim,
a iluminação vem sendo comunicada de geração em geração pela transmissão
não verbal.
Ensina o zen que a iluminação deve vir
de dentro, deve
ter sua origem no coração do indivíduo. Conta-se que um famoso mestre
zen jogou todas as imagens do Buda na
lareira a fim
de aquecer a sala em que ele e seus discípulos se encontravam.
Os ensinamentos do Buda só podem nos levar até uma parte do
caminho. Podem ensinar o rumo certo, mas o importante é vislumbrar aquilo para
onde apontam, a iluminação em si. Nós, seres humanos, muitas vezes nos
comportamos como crianças; estamos
mais interessados no
dedo que aponta do que naquilo que ele mostra.
É fácil manifestar mais preocupação com as idéias ou os rituais
religiosos do que com a experiência religiosa que é objeto dessas idéias e desses rituais. Aqui o método de
"apontar diretamente" pode ajudar
a obter uma compreensão espontânea da realidade, uma percepção sem restrições, que não precisa de
palavras.
Uma vez que a
iluminação deve vir de
dentro, o zen-budismo
não tem nenhuma
fórmula fixa para alcançá-la. Mas ela pode chegar quando menos se espera e
atingir a pessoa como um raio.
É como uma piada
que de repente
se compreende. De
súbito, a pessoa "desperta" —
e fica consciente
de que faz
parte do infinito,
de uma maneira inteiramente nova. Isso não vem gradualmente,
com o tempo. Quando ela chega de
fato, é total. Sua manifestação não está ligada nem mesmo à meditação. Uma
experiência mundana qualquer também
pode acabar levando,
com igual facilidade,
ao objetivo desejado.
A "TERAPIA DE CHOQUE" ZEN-BUDISTA
Alguém já disse que o budismo
Theravada busca abrir
a porta do nirvana à força, ao
passo que o Mahayana quer ficar mexendo a chave até que a porta se abra por
vontade própria. Essa descrição talvez seja mais típica do zen-budismo que de
outros movimentos mahayanas.
Como vimos, as noções fixas podem ser um obstáculo para a
iluminação; portanto, um
pré-requisito é a
mente se esvaziar de discípulo e com seus processos
conceituais de pensamento. Desde a era chinesa do zen,
a mais antiga, isso sempre foi
feito pelos mestres ao apresentar a seus
discípulos perguntas e respostas totalmente surpreendentes. A
seguinte conversa entre
mestre e discípulo serve de exemplo dessa técnica:
DISCÍPULO: Qual é o caminho para a libertação? MESTRE: Quem
está te acorrentando?
DISCÍPULO: Ninguém está me acorrentando. MESTRE: Então, por
que queres ser libertado?
Semelhante a esses diálogos é o uso
de charadas que
parecem absurdas e sem sentido. O mestre zen pode fazer a seu discípulo
perguntas como: "Como era seu rosto antes
de você nascer?". Ou: "Que som se produz
quando se bate palma com uma só mão?". Ao ponderar esses enigmas, o
discípulo zen é levado a experimentar um "sentimento de dúvida"
O ZEN NA VIDA
COTIDIANA
Uma característica do zen é sua atitude positiva para com as
tarefas mundanas. Isso deriva da visão zen sobre o que é a
iluminação.
Se se pedisse a um zen-budista que explicasse a
iluminação, ele poderia talvez
dizer: "O cipreste no jardim!". Ou, se ele realmente estivesse
disposto a responder à pergunta em nossos termos, poderia dizer que a
iluminação é perceber que não existe
iluminação. Como não há nenhuma
"verdade" para a qual se deva acordar, e nenhuma "ilusão"
da qual se deva acordar, a iluminação é compreender que o mundo é tal qual nós
o vemos.
Mas nós estamos agora empregando palavras e conceitos, e
assim fazendo, estamos nos distanciando
dos ensinamentos do Buda. Talvez devêssemos dizer que não
há nenhuma outra maneira de compreender o significado da vida a não
ser vivê-la. Em conseqüência, muitos zen-budistas destacam que o trabalho
rotineiro pode ser usado como um exercício de
meditação. A prática consciente de
uma rotina manual
pode ser tão
favorável para a
iluminação quanto a meditação e os rituais religiosos. Por esse motivo,
ocupações aparentemente triviais como
tomar chá, fazer
arranjos de flores
ecuidar do jardim passaram a ter grande importância no zen-budismo. No
Japão, certos esportes e formas de arte também receberam forte influência do
zen: arco e flecha, luta corporal, esgrima, teatro, poesia (haicai), música e
pintura.
O reavivamento budista
Em épocas recentes, e em especial desde a última guerra
mundial, o budismo passou por um reavivamento, sobretudo entre os budistas com
mais treino filosófico. Aspectos importantes desse reavivamento são o trabalho
pela unidade do budismo, maior
empenho missionário e maior atividade social.
MAIOR UNIDADE
Diversos concílios mundiais budistas tentaram iniciar uma
cooperação budista internacional. Isso inclui um esforço para se obter maior
unanimidade de doutrina entre as várias seitas budistas. Os concílios passam a
desempenhar, assim, um papel semelhante ao do Conselho Mundial de Igrejas
dentro da religião cristã.
MISSÃO
Outro aspecto desse reavivamento budista é a atividade
missionária, que começou também no Ocidente. Hoje há milhares de budistas nas
Américas e na Europa Ocidental, e várias capitais têm centros missionários. Por
outro lado, o budismo perdeu terreno em países da Ásia depois da Segunda Guerra
Mundial, sobretudo em razão da ascensão do comunismo.
ATIVIDADE SOCIAL
Houve ainda uma grande mudança no terreno ético. O ideal budista
original era trabalhar por sua própria salvação se valendo da meditação, algo
que pouco incentiva a atividade social. Mas o budismo também realça a abnegação
de si e a caridade, o que tem levado a uma participação ativa nas questões
sociais e políticas contemporâneas.
Fonte: GAARDER, Josteins; HELLERN , Victor; NOTAKER, Henry. Livros das Religiões.

Nenhum comentário:
Postar um comentário